ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 27/09/2021

A série televisiva “The Good Doctor”, disponível na Globo Play, retrata um jovem cirugião acometido com a síndrome autista e que, por isso, sofre incompreensões e julgamentos da equipe médica e dos pacientes. Fora da ficcção, o comportamento egocêntrico e individualista que caracteriza a falta de empatia permeia as relações sociais na conjuntura brasileira, sendo agravado pela dinâmica social de alta competitividade. Como consequência, percebe-se o aumento da intolerância, que dificulta a harmonia entre os cidadãos.

Sob tal ótica, a dinâmica social marcada pela produtividade e competitividade não oportuniza o olhar atento ao outro. De acordo com o filósofo sul-coreano Byung Chul Han, a contemporaneidade expressa-se na “sociedade do cansaço”, a qual está constantemente sob autocobranças excessivas e tentativas de performar de forma impecável na vida profissional, pessoal e social, concomitantemente. Nesse sentido, por estarem ocupados com conquistas materiais e financeiras, a maioria dos indivíduos acaba por atribuir a esses elementos, de forma equivocada, um valor superior ao das pessoas no trato cotidiano. Dessa forma, a desatenção e, por vezes, o desprezo com a dor e o problema do outro fazem parte de uma rotina insana que não permite o agir humanizado.

Por conseguinte, a intolerância social é agravada. Assim, a discriminação e as sátiras evidenciadas em “The Good Doctor” vão de encontro ao princípio defendido pelo filósofo contemporâneo Habermas: incluir não é somente trazer para perto, mas principalmente respeitar e crescer juntos. Com a incapacidade de parar, sair de si e perceber que as dificuldades do outro também merecem reverência e cuidado, inviabiliza-se não apenas a proximidade que antecede a verdadeira inclusão, mas também garante que o preconceito julgador e segregador seja perpetuado. Essa condição acarreta, assim, atritos que dificultam o avanço social em conjunto.

Infere-se, portanto, que, para restaurar o olhar compreensível nas relações interpessoais, é necessário que o Ministério da Saúde proporcione às escolas palestras mensais e educativas, as quais devem atentar à temática competitividade versus exercicío de empatia no dia-a-dia e ensinar acerca dos comportamentos de um bom ouvinte, com o intuito de repassar princípios que colaborem para o bem-estar social dos jovens. Ademais, o Ministério da Cidadania deve reforças as campanhas midiáticas que incentivem a tolerância e a inclusão segundo Habermas, a partir do respeito e de atitudes práticas que levem ao crescimento, e forma coesa, da sociedade. Dessa forma, o ambiente das relações sociais será progressivamente mais empático.