ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 30/09/2021

De acordo com o artigo 3°, da Constituição Federal de 1988, é objetivo fundamental da República Federativa do Brasil garantir o desenvolvimento nacional. Entretanto, tendo em vista a atual situação do país, observa-se que tal objetivo não é realizado uma vez que grande parte dos brasileiros não possuem empatia com o próximo , o que dificulta as relações para um bom convívio social. Diante disso, deve-se analisar como a desigualdade social e a intolerância provocam a problemática em questão.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a desigualdade social contribui para a falta de empatia nas relações sociais. Isso acontece, pois de acordo com o PNUD ( Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Brasil é o 7° país mais desigual do mundo, por isso causa o problema abordado. Nesse sentido, conforme o filósofo Zygmunt Bauman afirma que na “modernidade líquida” os indivíduos do século XXI estão mais preocupados com os próprios interesses do que com os outros indivíduos. Nesse viés, as relações fluidas não obtém integração entre os indivíduos, o qual provoca o distanciamento destes e também contribui com a disseminação da ganância, uma vez que, esses seres só se preocupam com si mesmo. Por consequência, é fato que todos esses problemas são devido à desigualdade existente no país, no qual há um grande desequilíbrio dificultando as relações empáticas.

Em segunda análise, é fundamental enfatizar que a intolerância por ser diferente é outro fator problema. Nessa lógica, consoante ao filósofo Byung-Chul Han, alega que na “sociedade do cansaço” pessoas estão em busca de desempenho pessoal e profissional e com isso viram-se contra os outros indivíduos em uma vasta competição. À vista disso, com a pandemia da Covid-19 ocorreu tal atitude pela falta de empatia das pessoas, a qual era perceptível devido ao armazenamento de mantimentos, remédios e álcool em gel. Consequentemente, é notório que essa repercussão de ódio disseminado na sociedade é o reflexo da falta de tolerância e empatia com o outro.

Depreende-se, portanto, que a desigualdade social e a intolerância corroboram para o problema em questão. Sendo assim, cabe ao governo em parceria com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos -órgão responsável pela articulação das políticas de proteção dos indivíduos- promover políticas públicas. Isso por meio de campanhas, folders, palestras, em conjunto com os veículos midiáticos que estimulem o ser empático, a fim de orientar a população sobre a importância dessas atitudes para um bom convívio social. Além disso, o Ministério da Educação deve trabalhar nas escolas com rodas de discussões e incentivar o voluntariado para que esses indivíduos tenham contato uns com os outros e sintam a necessidade de serem empáticos. Só assim, será possível garantir o artigo 3° presente na Constituição de 1988.