ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 30/09/2021
Na obra Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, a qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto, uma vez que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da omissão do Estado quanto do individualismo da população brasileira.
Em primeiro lugar, vale ressaltar a carência de medidas governamentais para garantir mais empatia na sociedade brasileira. Nesse sentido, de acordo com o filósofo inglês John Locke, o Estado tem o dever de garantir todos os direitos ao cidadão, isto é, o respeito dos direitos básicas das pessoas é a garantia de mais empatia. Entretanto, o governo falha ao não assegurar o mínimo para o indivíduo, isso gera a diminuição da empatia na sociedade, por conseguinte, aumenta a insegurança e a criminalidade. Por exemplo, segundo o IBGE, o crime de ódio corresponde a 30% das ocorrências no Brasil. Logo, é necessário a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Além disso, outro fator que potencializa o problema é o individualismo da população brasileira. Nessa perspectiva. sabe-se que as primeiras cidades, na Mesopotâmia, só consguiram se erguer graças a colaboração entre os cidadãos, a ajuda mútua, ou seja, a empatia que tiveram uns com os outros. Porém, mais de 2 mil anos depois, esse companherismo está sumindo cada dia vez mais, em contrapartida, o brasileiro se torna mais individualista, tal como no mercado de trabalho e nos relacionamentos sociais e amorosos, sempre com o objetivo de se sobressair diante de outrem, e infelizmente, se continuar como está, a empatia entrará em extinção com o tempo. Dessa forma, é inadmissível que esse quadro continue a perdurar.
Portanto, medidas forte são necesárias para combater o problema no Brasil. Para que isso ocorra, é indispensável a criação de programas educacionais sobre empatia e os direitos cívis, pois ambas estão ligadas, e destinar esses projetos para o ensino fundamental. Deste modo, quem deve fazer isso é o Ministério da Educação junto com o Tribunal de Contas da União, órgão responsável pelas verbas públicas no Brasil. Por meio do redirecionamento de recursos recuperados da corrupção para a efetivação desses planos, bem como inserir nas universidades debates públicas de como melhorar a empatia na comunidade. Feito isso, se consolidará uma sociedade mais acolhedora, dessa maneira, o Estado desempenhará sua função, bem como afirma John Locke.