ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 04/11/2021

Em sua canção “Construção”, o cantor brasileiro Chico Buarque escancara a desumanização do indivíduo, visto pela sociedade como uma mera ferramenta. Analogamente, essa realidade se faz presente no Brasil, uma vez que as relações sociais estão prejudicadas pela falta de empatia. A falta desse sentimento é retroalimentada pela sociedade que, sem boas referências midiáticas, promove ações odiosas contra outros seres humanos.

Primeiramente, é importante destacar que a falta de empatia nas relações sociais é fruto da distorção identitária do povo brasileiro. Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, o indivíduo, por meio de mecanismos de repressão, é despido da sua identidade para dar origem a uma que lhe é exigida socialmente. Assim, a falta de empatia prévia gera na sociedade o aumento e a consolidação da indiferença nas relações humanas, que por sua vez, aumenta, conforme o mapa do ódio 2018, o número de crimes de ódio contra minorias sociais.

Sendo assim, é preciso transpor o estado de “Mortificação” por meio da mobilização social. Porém, isso não acontece por causa da inação da mídia, visto que essa, em vez de promover debates que elevem o nível de empatia na população, contribui para consolidação da indiferença ao não garantir protagonismo às minorias sociais, geralmente reduzidas a caricaturas. Paralelamente, Pierre Bourdieu já afirmava que a mídia, como instrumento de democracia, não deve promover a opressão, e o pensamento do autor exemplifica o papel midiático na correção de injustiças.

Em suma, são necessárias medidas que atenuem a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Assim, é importante a atuação do Ministério da Educação, como agente do Estado, na conscientização da população acerca das consequências de uma sociedade individualista. Isso deve ocorrer por meio de palestras, que, ao serem ministradas em escolas e universidades orientem os brasileiros sobre a importância de um olhar fraterno na vida comum, a fim de construir uma sociedade mais empática. Além disso, cabe à mídia, como instrumento de democracia, através de veículos de comunicação de massa, como internet e TV, a divulgação desse projeto para garantir a sua efetividade e, por consequência, um Brasil mais tolerante.