ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 03/10/2021
O culto da alteridade
A concretização da humanidade somente foi possível devido às relações apáticas e empáticas, em outras palavras, por conta do equilíbrio entre as duas. No entanto, no Brasil contemporâneo, a reprodução da falta de empatia na relações sociais tem aumentado em progressão geométrica, e isso ocorre por duas questões: o egoísmo e o conflito com o diferente.
Partindo do viés socioeconômico vigente, o sistema conserva a premissa egoísmo, dessa maneira, o sujeito internaliza esse conceito em suas células e propaga esse tipo de discurso em todas as esferas da vida. Nessa perspectiva, a alteridade é marginalizada, colocada como um atributo coadjuvante e, com o passar do tempo, sendo esquecida pela coletividade, enquanto a individualidade ganha mais força. Assim, a empatia é obliterada, massacrada e desfigurada pelo egoísmo, tendo como consequência atitudes desvirtuosas, como a desconsideração da necessidade do outro e a edificação da ausência de reciprocidade.
Paralelo a isso, vale ressaltar o caráter psicanalítico dessa problemática, pois cada indivíduo é uma colossal estrutura psíquica repleta de seus próprios labirintos internos e de sua identidade passível de volatilidade. Sendo assim, as relações por si já são extremamente complexas, e a introdução da empatia nesse cálculo é ainda mais difícil. Dessa forma, lidar com o próximo pode ser um exercício árduo e espinhoso, visto que é uma atividade em que a pessoa se conecta a uma nova entidade que detém o seu próprio universo particular. Ademais, a empatia exige um recurso olhístico detalhista, porque não é fácil lidar com o diferente e os participantes precisam entender o espaço do outro.
Portanto, a falta de empatia nas relações brasileiras é um empecilho estrutural. Nessa lógica, é imperativo que a iniciativa privada altere os significados de seus signos, com efeito, desvinculem de suas estratégias de mercado o pensamento individualista, além disso, estimulem os seus funcionários a compactuarem com a fraternidade cívica. Outrossim, a população deve, sem dúvida alguma, mobilizar-se a fim de que as suas atitudes de hoje transformem a cultura no amanhã. Feito isso, a prosperidade empática, no inter-relacionamento social, atingirá o seu ápice de excelência.