ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 04/10/2021

Ineficiência do Estado. Fracasso educacional. Descaso com a sociedade. Entre os fatores pertinentes à falta de empatia nas relações sociais no Brasil, é possível afirmar que, infelizmente, a deficiência de ações governamentais destaca-se como um perigoso entrave nacional. Nesse sentido, convém analisarmos as principais causas e possível medida para atenuar essa problemática em nossos dias.

Cabe ressaltar de início, que a ausência de políticas públicas para promover a aproximação interpessoal representa um dos motivadores do impasse. De acordo com Yuak Harari que descreve, no livro Sapiens: uma breve história da humanidade, a importância da revolução científica no processo formador da sociedade, o que, diante disso, evidencia a relevância da integração comunitária para o enriquecimento intelectual e econômico da nação. É, pois, inadmissível que um país oficialmente democrático não seja capaz de elaborar medidas eficientes para prevenir as distintas formas de preconceitos, além de não conseguir estruturar leis inteligentes que assegurem o bem-estar e a segurança da população.

Além disso, pode-se constatar que a atual e frustrante metodologia de ensino em relação ao desenvolvimento da empatia é outro fator a ser debatido. Conforme o pedagogo e filósofo brasileiro do século XX Paulo Freire, ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, as pessoas se educam reciprocamente pelo mundo. Nesse caso, a carência de disciplinas, nas escolas, sobre interações socioemocionais torna o combate a essa prática inútil. Percebe-se, assim, como inaceitável que o Estado não seja capaz de garantir o acesso à educação de qualidade, que aborde os temas contemporâneos, o que é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 a todos cidadãos.

A fim de confirmar a percepção teórica do livro Sapiens e validar a tese de Paulo Freire, cabe ao governo federal, portanto, mobilizar o Ministério Justiça, em consonância com o Ministério da Educação, por meio de um projeto de lei enviado ao Congresso Nacional, com medidas para enrijecer as regras sociais e aumentar a pena para crimes provenientes das diversas maneiras de discriminação, além de incorporar na base comum curricular matérias referentes às formas de interações entre pessoas e à promoção da compreensão do outro. Espera-se, com isso, impedir a elevação da taxa de aversão interpessoal e modificar o ensino regular do país.