ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 04/10/2021
O anime japonês “kimetsu no yaiba” retrata a jornada de Tanjiro, um jovem que busca uma cura para o problema de sua imã mais nova. Ao longo dos episódios é retratado a árdua rotina de treinos e privações, além de outros personagens que surgem com seus problemas e Tanjiro os ajuda mesmo que isso atrapalhe seu objetivo. Longe da ficção, a presença da empatia nas relações sociais, como há no anime, tem se tornado cada vez mais escassa no hodierno brasileiro. Isso se deve tanto pela lacuna na educação das crianças quanto pela normalização dessa realidade.
Nesse sentido, é importante ressaltar que o brasileiro, em geral, é apático por natureza. Segundo uma matéria de 2020 do jornal O Globo, o Ministério Publico afirmou que cenas de aversão e antipatia estão frequentemente presentes em novelas e programas, inclusive, tendo pico de audiência nesses momentos. Nessa lógica, a exploração dessa falta de empatia do brasileiro pela mídia, a fim de ter mais pessoas acompanhando seu conteúdo, gera uma acomodação sensorial, impedindo que o indivíduo encare essa cena com repulsa e trate-a como algo normal e até desejado, efeito esse explicado pelo psiquiatra Viktor Frankl, ao retratar como seus colegas de campo de concentração se tornavam pessoas apáticas após viverem num meio permeado desse sentimento.
Além disso, convém ressaltar que a lacuna presente na educação parental encontra-se como um dos principais empecilhos para a superação desse impasse. Ícaro de Carvalho, empresário e pai de quatro filhos, corrobora que para formação de crianças virtuosas é necessário que os pais estejam presentes e se esforcem em fornecer para os filhos bons exemplo e impedir que os maus cheguem neles. Assim sendo, quando os pais não fazem isso geram uma abertura para que uma figura qualquer na internet ou na TV substituam eles, desta forma, a criança não terá como adquirir o sentimento de empatia, pois, como ressaltado acima, a maioria dos brasileiros não a possuem, portanto, não podem ensina-la.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Portanto, cabe ao Ministério Público criar quesitos para a liberação da exibição de novelas e programas televisivos, entre eles a proibição de cenas que possam ser interpretadas pelos telespectadores como propagação de antipatia. Ao garantir isso por meio de uma avaliação criteriosa de todos os capítulos que serão exibidos, a comunidade olhará de forma mais humana para seu círculo de relações. Adicionalmente, é dever do Ministério da Educação a realização de palestras e aulas em plataformas online, para orientar os pais quanto a prática dos cuidados com os filhos, por meio da contratação de psicólogos e psiquiatras, a fim de permitir que surja uma nova geração de brasileiros que se importam mais com o próximo.