ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 04/10/2021
Defini-se como empatia a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, procurando pensar, sentir ou agir como ela numa determinada situação. Nesse viés, convém depreender a questão da falta de empatia nas relações sociais no país que fatidicamente perduram devido à inércia social e a falta de abordagem do tema.
Em primeiro lugar, é lícito evidenciar a falta de participação popular como um obstáculo que corrobora para perpetuação da problemática. Nesse sentido, segundo o literato português José Saramago, no romance “Ensaio Sobre a Cegueira”, o comportamento negligente por parte da população em não se mobilizar para se envolver em trabalhos voluntários e participar ativamente de causas em prol da defesa dos direitos dos seus semelhantes, é definido como “Eclipse de Consciência”, ou seja, a ausência de sensibilidade dos indivíduos frente as mazelas sociais enfrentadas pelo próximo, neste caso a falta de participação popular em prol do bem-estar alheio, o que configura a carência de empatia das relações sociais. Por conseguinte, considerável parcela da população fomenta a invisibilização do imbróglio em evidência.
Outrossim, é imperativo destacar a negligência frente a abordagem do problema como um dos fatores que validam a sua persistência. Diante disso, segundo o conceito de “Ação Comunicativa”, definido pelo filosofo Jurgen Habermas, para que as pessoas tenham capacidade de defender os seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade ela precisa obter ampla informação prévia sobre o assunto. Assim, a carência de espaço midiático voltado para a importância da empatia nas relações sociais vigora como um empecilho para solução do óbice, pois compromete a tomada de ação da população, haja vista, que essa só tomara partido para solução da problemática mediante ao conhecimento detalhado do infortúnio, como causas e caminhos para erradicação. Portanto, é necessário que se estabeleça ações a fim de diminuir a falta de visibilidade do tema.
Urge, pois, que medidas sejam tomadas com intuito de coibir o problema discorrido. Assim, faz-se necessária a ação do Ministério da Educação em união com as instituições de ensino promovendo desde cedo no ambiente escolar debate a respeito do tema por meio de rodas de conversa e palestras e também incentivem o voluntarismo, para que se formem cidadãos conscientes e capazes de estabelecer relações empaticas. Paralelo a isso, é necessária participação do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos criando campanhas veiculadas nas mídias sociais, abordando a importância da empatia nas relações sociais, para garantir maior participação popular. Feito isso, o Brasil poderá caminhar para a construção de uma sociedade com relações sociais empáticas.