ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 05/10/2021

O Parnasianismo, corrente literária emergente do século XIX, desconsiderou a função social da Literatura na exposição e debate sobre mazelas humanas, secundarizando os sentimentos na produção artística, fatores que explicitaram a prática da reificação de questões sociais e o individualismo contemporâneo. Dessa maneira, no Brasil atual, é visível que o egocentrismo nas relações sociais e a intensificação da ocorrência de crimes de ódio são aspectos relevantes da falta de empatia nas relações sociais no país.

Nessa perspectiva, cabe analisar a interligação da individualização das relações sociais com a falta de empatia na sociedade brasileira. Sendo assim, Émile Durkheim, destacado sociólogo do século XIX, afirma, em sua tese da solidariedade orgânica, que os indivíduos contemporâneos são movidos por interesses individuais, favorecendo comportamentos anômicos, egocêntricos e apáticos. Desse modo, é visível que a reificação dos sofrimentos humanos é recorrente na sociedade atual, tendo em vista que a ausência do sentimento de empatia entre os cidadãos inviabiliza a supressão das vontades do sujeito em favor da ordem e equilíbrio social do outro e do coletivo.

Além disso, convém examinar a ligação da intensificação da ocorrência de crimes de ódio com a ausência de afeição na sociedade brasileira. Assim sendo, o imperativo categórico, tese do filósofo francês Imanuel Kant, defende que as ações individuais devem ser regidas de modo a alcançar o bem-estar coletivo. Todavia, na realidade nacional, a sobreposição da esfera privada sobre a harmonia social direciona práticas de intolerância ideológica e política no convívio social, fator que permite a ocorrência de litígio e desarmonia entre os cidadãos. Sob esse viés, conforme dados do Mapa do Ódio, a existência de crimes raciais, por exemplo, é preponderante na maior fração do território nacional, evidenciando a falta de empatia dos indivíduos sobre minorias sociais do Brasil.

Posto isso, cabe, portanto, a intervenção do Estado para mediar soluções à falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Destarte, convém ao Ministério da Educação, junto ao Ministério da Cidadania, promover ações de formação cidadã e empática, mediante a realização de campanhas, em redes sociais, por exemplo, e aulas conjuntas entre as Ciências Humanas em escolas. Nesse proceder, será viável efetivar a conscientização popular acerca da relevância da empatia no convívio social e mitigar o individualismo nos indivíduos, com o fito de promover o equilíbrio social no país. Ademais, assiste ao Ministério da Cidadania, junto ao Ministério da Justiça, efetivar meios para a conciliação da esfera privada e das concepções pessoais, por meio de mecanismos de defesa da tolerância e respeito, com o fito  de reduzir crimes de ódio, diretamente ligados à falta de empatia no país.