ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 05/10/2021

Às vésperas do centenário do Profeta Gentileza, ativista que pregava o bem comum e o pensamento coletivo, suas obras, expostas no Rio de Janeiro, estiveram sujeitas a atos de vandalismo e pouca fiscalização com esse patrimônio cultural. Tal situação representa, de forma concreta, a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, afinal, acervos que pregam a solidariedade estão sendo destruídos. Esse retrocesso é aumentado devido à influência da mídia e à competitividade na sociedade, gerando fragilidade na estrutura social e desigualdades.

Em primeira análise, é notório o quanto a mídia é responsável pela falta de empatia nas relações sociais no Brasil, uma vez que ela é uma grande influenciadora de ideias e molda os valores de uma sociedade. Essa assertiva é concatenada ao pensamento de Mário Sérgio Cortella, em sua palestra “Tempos, Novos Paradigmas”, o qual caracteriza tal suporte de comunicação como o mais novo corpo docente, ocupando o lugar da família. Dessa forma, a mídia, ao expor e glorificar a violência nos filmes e documentários, está orientando o indivíduo a se comportar de maneira individualista e não empática.

Em segunda análise, outro fator que justifica essa falta de empatia é a extrema competitividade, visto que o mundo atual é cercado pela constante busca de ser melhor que o outro, validando qualquer caminho que utilizar para alcançar esse fim. Tal afirmativa é associada à “Sociedade do Cansaço” de Chul Han, a qual é caracterizada pela individualização dos problemas, atestando a criação de indivíduos cada vez mais egocêntricos e anti-solidários.

Em terceira análise, é evidente o quanto essa falta de empatia nas relações sociais no Brasil gera uma sociedade frágil e desigual, já que para alcançar um meio estruturado é necessário objetificar a felicidade comum e, para isso, é essencial que os indivíduos pensem de maneira coletiva e empática. Tal alegação pode ser ligada à visão de Aristóteles, o qual priorizou o bem comum como uma das metas a que o governante teria que conquistar, a fim de obter uma sociedade justa. Assim, à medida que as pessoas buscam o desenvolvimento mútuo, o fenômeno de sobreposição da “Sociedade do Cansaço” será diminuído.

Portanto, é perceptível que a mídia e a competitividade são algumas das responsáveis pela falta de empatia nas relações sociais no Brasil, gerando uma sociedade mal estruturada. Diante disso, é fulcral que a família, importante formadora de valores, juntamente com a escola, principal formadora educacional, ampliem e estimulem o sentimento coletivo nos jovens, por meio de conversas educativas, aulas de formação humana e debates institucionais, a fim de alcançar uma sociedade mais empática e solidária. A partir disso, tudo aquilo que pregava o Profeta Gentileza será, finalmente, mantido.