ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 05/10/2021
De acordo com o filósofo Richard Rorty, se pudermos contar uns com os outros, não precisamos depender de mais nada. Em contramão a isso, infelizmente, a atual realidade das relações, no Brasil, está pautada na falta de empatia. Isso se deve ao individualismo enraizado na sociedade, o que fomenta práticas intolerantes e corrobora as desigualdades vigentes no país.
Em primeira análise, é importante ressaltar que, nos primórdios do suposto descobrimento do Brasil, a dominação da terra partiu de uma imposição eurocêntrica nociva à cultura de muitos povos nativos. Atualmente, a ausência da prática de colocar-se no lugar do outro ainda persiste e, segundo o sociólogo Zygmund Bauman, em seu conceito de modernidade líquida, é ampliado pela superficialidade das relações promovida pelo advento das redes sociais. Esse mecanismo digital fomenta o exercício da intolerância e aumenta a incidência de crimes de ódio (xenofobia, homofobia, misoginia, racismo, entre outros), em virtude do anonimato garantido nesse âmbito, o qual desmascara o individualismo e falta de empatia de muitos usuários. Dessa forma, é imprescindível que haja o monitoramento dessas ações criminosas a fim de punir devidamente os culpados.
Ademais, outro fator decorrente da falta de se posicionar no lugar do outro é o elevado grau de desigualdade social vigente no Brasil, o qual, segundo levantamente realizado pela Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), ocupa a sétima colocação entre os países mais desiguais do mundo. Essa disparidade acentua o não reconhecimento do indivíduo de uma classe “inferior” como um igual ou detentor do gozo dos mesmos direitos de um cidadão comum. Além disso, essa posição de rejeição, muitas vezes, inibe a adoção de ações solidárias em favelas, periferias ou outros centros necessitados e, com isso, o sujeito carente torna-se invisível perante a sociedade, fato que poderia ser evitado pela prática da empatia no dia-a-dia.
Em suma, para mitigar as consequências da falta de empatia nas relações brasileira, é indispensável que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, estabeleça uma emenda constitucional que obrigue os responsáveis por sites e redes sociais a fiscalizar as publicações que contenham mensagens com conteúdo depreciativo, por meio do uso de softwers de inteligência, e fornecer aos devidos órgãos legais a identidade de praticantes de crimes de ódio, a fim de que esses indivíduos cumpram penas estabelecidas em lei e, com isso, inibir tais ações criminosas. Por fim, cabe ao Ministério Público a elaboração de programas sociais mais efetivos, com intuito de proporcionar maior equidade entre os cidadãos, além de promover campanhas que incentivem as ações solidárias por parte da sociedade, para, assim, atingir o ideal proferido por Rorty.