ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 06/10/2021

Diante de um equívoco, teorizado em seu livro “Casa-grande e senzala”, Gilberto Freyre descreve o Brasil por meio do conceito de “Democracia Racial”, no qual traduz a diversidade de étnica como diretriz fundamental da nação e afirma a ausência de desigualdades quanto a esse aspecto. Apesar de centenário, o erro do autor persiste nos dias atuais, relacionado, sobretudo, à falta de empatia nas relações sociais no Brasil. É cabível, assim, apontar as raízes histórico-culturais do País como protagonistas dessa problemática, somadas ao desmembramento interpessoal na sociedade, fomentado pela era da globalização capitalista.

A princípio, torna-se necessária a análise da construção histórica brasileira. Nesse âmbito, a literatura informacional portuguesa, durante o “descobrimento” do Brasil, deixa explícito o preconceito eurocêntrico ao declarar ínfima, de acordo com o escrito Pero Vaz, a cultura dos nativos. A partir dessa base moralista do empoderamento branco, fomentada com a escravidão, construiu-se uma sociedade antipática nas relações interpessoais. Como consequência, ao transladar para a atualidade, observa-se a persistência de crimes de ódio, como os baseados nos preconceitos de gênero e religioso, que devem ser combatidos a partir da educação.

Outrossim, é possível reconhecer a grande parcela de culpa da globalização capitalista na modelagem da falta de empatia no Brasil. Para compreender essa perspectiva, o contratualista Hobbes declarou o ser humano como “Lobo dele mesmo”, com finalidades egoístas e ações baseadas na autoconservação, fomentadas, principalmente, durante a Revolução Industrial. Desde a resolução dessa, a interpessoalidade cotidiana transformou-se em perde de tempo e, logo, dinheiro. Essa busca obsessiva do lucro retirou a empatia da sociedade, o que causou a estigmatização de problemas psicológicos, como depressão, ansiedade e crises de pânico.

Assim, para redução desse aspecto apático da sociedade, é necessário que o Ministério da Educação crie, nas escolas nacionais, projetos de reconhecimento e respeito às diversidades, por meio de palestras e apresentações culturais que transpareçam a importância da consciência coletiva e fomente nos jovens, futuro da nação, o desejo de mudança desse cenário. Além disso, o mesmo órgão governamental deve, aliado a Secretária de comunicação, alertar a população através das mídias - rádio, tv, internet - sobre a importância da empatia nas relações interpessoais, para conscientizar e direcionar o País ao respeito e à tolerância, evitando o arrependimento inercial, como o personagem machadiano “Brás Cubas”, que num devaneio pós-morte declara a tristeza no enclausurar das ações necessárias, mas não feitas.