ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 05/10/2021
A obra literária “Extraordinário” conta a história de Auggie, um menino de 10 anos que nasceu com uma deformidade genética facial. Ao longo do livro, o protagonista enfrenta diversos desafios em sua busca por ser tratado como um garoto comum, sendo incompreendido, excluído e vítima de bullying no ambiente escolar, em decorrência da falta de empatia por parte de seus colegas quanto à sua aparência fora do padrão. Ao sair da ficção e comparar com a sociedade brasileira, percebe-se que as dificuldades sociais enfrentadas pelo personagem condizem com a realidade de muitos brasileiros como consequência da ausência de empatia nas relações atuais, evidenciando a incapacidade de grande parcela da população de exercer a alteridade. A partir desse contexto, é fundamental analisar a importância do exercício da empatia para a construção de uma sociedade mais humanizada e desenvolvida, bem como destacar as desigualdades socio-econômicas como consequência da ausência de tal prática no país. Primeiramente, é notório que a empatia possui fundamental importância na formação de cidadãos capazes de exercer práticas mais humanizadas, o que contribui para um maior desenvolvimento do país como um todo. Tomando como base o contexto da pandemia da COVID-19, em que a crise de saúde afetou todas as parcelas da população, percebe-se que a prática de ações empáticas por parte dos profissionais de saúde, que visam o bem-estar coletivo em detrimento, muitas vezes, de suas próprias necessidades físicas, foram, desde o início, indispensáveis para minimizar os impactos e a letalidade da doença em todo o mundo. A partir desse viés, nota-se que, ações individuais pautadas em fornecer suporte àqueles que precisam, a partir do exercício de compreender, valorizar e lutar pela vida do outro, criam relações mais humanas e contribuem para o surgimento da consciência coletiva, responsável pelo desenvolvimento de uma nação que busca a igualdade em todos os âmbitos da vida da população. É perceptível, segundamente, que a ausência de tais práticas de empatia tem como efeito principal a intensificação de desigualdades sociais e econômicas. De acordo com uma pesquisa da Universidade de Michigan de 2016, num ranking mundial de empatia, o Brasil se encontra em 51º lugar entre as 63 nações analisadas, sendo também, segundo o PNUD (Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento), o 7º país mais desigual do mundo. A partir desses dados, evidencia-se que, em uma sociedade em que há a mitigação de ações empáticas e embasadas na alteridade, desenvolvem-se cada vez menos relações horizontais e humanizadas, aumentando o sentimento individualista e segregacionista, o que resulta em uma sociedade hierarquizada e extremamente desigual. Assim, em decorrência da incapacidade de se colocar no lugar do outro, incompreendendo diferenças sociais, econômicas, políticas, financeiras e étnicas, a população não desenvolve a consciência coletiva e vive em um regime em que prevalece a bolha social de cada um, criando abismos entre as diversas parcelas da sociedade. Nota-se, portanto, que a empatia exerce papel fundamental na formação de uma sociedade mais desenvolvida e igualitária, e que sua ausência nas relações sociais precisa ser combatida. Assim, é fundamental a atuação do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, por representarem o poder Executivo na esfera Federal, investindo em projetos que incentivem o desenvolvimento de ações empáticas em instituições educativas, por meio de palestras didáticas e através da introdução de disciplinas que instruam sobre a criação de relações sociais embasadas na alteridade, com o objetivo de desenvolver a consciência coletiva em crianças, jovens e adultos, incentivando o exercício da empatia em toda a sociedade