ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 05/10/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social, explicitamente empático, padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, haja vista a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, que representa barreiras as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto da contemporânea superficialidade das relações humanas.
A princípio, a contemporaneidade capitalista induz o distanciamento das relações humanas e a ampliação da individualidade e, consequentemente, rompe com uma perspectiva social de coletividade e empatia. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, no livro “Modernidade Líquida”, o escritor enfatiza que o sofrimento alheio é objeto do fenômeno da “adiaforização da conduta humana”. Isto é, de acordo com ele, em uma sociedade cada vez mais superficial, o mal suportado por outra pessoa, desconhecida ou não, é considerado como algo indiferente. Sob essa ótica, gera-se uma violência simbólica na construção de uma consciência comum entre indivíduos e sociedade, no viés da efemeridade das relações humanas promover a “estagnação” da ação empática coletiva. Logo, torna-se inequívoco a importância de enxergar o próximo com empatia nos vínculos sociais brasileiros, para mudar essa preocupante realidade.
Concomitantemente a isso, a Globalização com seu poder de interconexões mundiais, possibilita a ultrapassagem de barreiras e a união de indivíduos de modo multilateral. Nesse contexto, os avanços tecnológicos dos meios de comunicação são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade, na medida em que cria uma razão coletiva. Dessa forma, nesse cenário preocupante da falta de empatia nas relações sociais no Brasil, o filósofo australiano Roman Krznaric, defende que a empatia é uma necessidade social. Portanto, na situação contemporânea conflitual, cabe a importância do fortalecimento dos laços afetivos em conjunto com ações e atitudes empáticas.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de ações sociais que visem a construção de um mundo melhor. Nesse viés, o Estado em parceria com o Ministério da Educação, para universalizar ações solidárias e incentivar a empatia nas relações sociais, deve promover ações sociais, por meio de dinâmicas escolares que promovam a ação e consciência da coletividade e o respeito em sociedade. Além de palestras com psicólogos que debatam sobre a necessidade da empatia para os indivíduos e a sociedade. A fim, de ensinar e propagar o bem, ações de amor e empatia, com o objetivo de se aproximar da sociedade proposta por Thomas More, em “Utopia”.