ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 05/10/2021

No filme “Jogos Mortais”, há o retrato de um psicopata que prende dois homens em um quarto e tenta fazer com que um mate o outro para que algum deles possa sobreviver, caso contrário, os dois serão mortos. Fora dos tablados da ficção, pode-se associar essa situação à realidade da população brasileira, que, em grande parte, possui condições de vida tão desfavoráveis que chegam a atuar em detrimento da sua convivência com o próximo, tendo em vista que se faz necessária uma preocupação, antes de tudo, com a própria sobrevivência. Assim, compreende-se que há um comprometimento direto da empatia nas relações sociais, ocasionada pela miserabilidade e pela dinâmica atual da sociedade.

Mormente, segundo dados obtidos pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, há cerca de 20 milhões de pessoas no Brasil que vivem em situação de insegurança alimentar grave. Ao analisar esse fato, compreende-se que há, no país, uma condição de vida desfavorável para boa parte da população, que sofre com problemas econômicos e sociais que podem chegar a comprometer sua própria vida. Outrossim, conforme o sociólogo Karl Marx, a natureza humana é maleável, ou seja, depende, dentre outros fatores, da sua experiência e convivência com o mundo. De forma breviloquente, ao associar essa premissa aos dados citados anteriormente, entende-se que muitos brasileiros vivenciam uma situação de vida bastante difícil, o que implica a falta de empatia nas relações sociais, tendo em vista que há a necessidade da priorização da individualidade.

Ademais, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo passa por um processo de modernidade líquida, que consiste na superficialidade das relações sociais ocasionada pela dinamização da sociedade. Como exemplo disso, pode-se citar o alto uso de tecnologias de comunicação na contemporaneidade, que fizeram com que as interações físicas se tornassem cada vez mais escassas, o que gerou um enfraquecimento da empatia nos laços interpessoais. Além disso, ao aplicar essa ideia à realidade brasileira, percebe-se que ela se torna ainda mais grave, já que, conforme pesquisa realizada pelo Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas, há cerca de 400 milhões de dispositivos digitais ativos no Brasil. Dessa forma, há um país bastante conectado virtualmente e, consequentemente, muito enfraquecido no quesito das relações pessoais.

Portanto, entende-se que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil está ligada às condições sociais miseráveis e à dinamização dos laços interpessoais. Desse modo, faz-se mister que o governo federal, por via do Ministério da Educação, conscientize a população, a partir de palestras que mostrem a realidade brasileira, a fim de fomentar a empatia na atualidade. Só assim, haverá uma população que se importe cada vez mais com o próximo, o que fortalecerá a convivência e o combate à miserabilidade.