ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 05/10/2021

Promulgada em 1988, a Constituição Federal, em seu Artigo 3º, alega ser objetivo fundamental do documento a construção de uma sociedade justa e solidária. Embora essas ações estejam previstas na Lei Maior, a falta de empatia nas relações sociais brasileiras -seja por meio do preconceito, seja por meio da exclusão de determinados grupos- ainda é uma triste realidade no país, sendo necessária a mudança dessas condutas para que uma sociedade mais compassiva seja alcançada.

Em primeira análise, afirma-se o preconceito realizado contra determinados grupos sociais, principalmente as minorias, é consequência direta da ausência de empatia pelo outro. No poema da primeira geração modernista “Descobrimento”, do autor Mário de Andrade, o autor traz a ideia de que o brasileiro ainda não conhece a sua diversidade. Embora seja um registro da década de 1920, esse panorama ainda se encontra presente no corpo social atual, à proporção que parte da sociedade brasileira não reconhece as minorias -grupos que não necessariamente são minoritárias em número, mas em reconhecimento e igualdade-, realizando preconceitos indecorosos. Isso é nefasto e precisa ser revisto urgentemente, através da prática da empatia por outrém, independente de suas características, pois estas devem ser irrelevantes para a realização de atos solidários.

Outrossim, é válido ressaltar que, infelizmente, a exclusão social ainda é uma realidade no país e possui origem direta na falta da prática de compaixão pelo próximo. Consoante o filósofo francês Pierre Bourdieu, o habitus é um conjunto de comportamentos e valores herdados socialmente, principalemente reforçadas por instituições, em que se obtém -como resultado desse sistema- a hierarquização das pessoas, o que é, frequentemente, a base para a exclusão de algumas pessoas. Nessa perspectiva, pode-se fazer uma analogia ao atual cenário brasileiro, à medida que uma parcela da sociedade categoriza e rejeita determinados indivíduos por serem considerados “diferentes” -como mulheres, negros, idosos, LGBTQIA+ - da maioria. Esse fato é ultrajante e de extrema preocupação, haja vista que essa “distopia” não seria realidade se a empatia fosse recorrente entre os cidadãos, sendo proeminete a realização de atos campassivos com maior frequência na nação.

Portanto, medidas são necessárias para a mudança do atual cenário brasileiro. O Ministério da Cidadania -órgão responsável pelo desenvolvimento da sociedade nacional- deve promover a empatia nas relações sociais, por meio de políticas públicas, as quais visarão à conscientização de todo o corpo social sobre a importância de aceitar o outro -mesmo que esse possua opiniões e características divergentes- e sobre a necessidade de ser empático e compassivo para a melhoria da convivência coletiva, a fim de que o preconceito e a exclusão de determinados grupos diminua gradativamente.