ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 06/10/2021

Definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como grupos desabastados de direitos, as chamadas “minorias” se fixaram num país  onde, involuntariamente, são agredidas e desrespeitadas. Nesse contexto, vê-se que uma razão plausível se dá pela falta de empatia nas relações sociais, visto que, por um humano não se ver com e como o outro, ignora-o ou reprime sua luta. Com isso, é nítido que tal desumanização possui duas bases, a citar, a visão de quem tem “poder” e a negligência do Estado para esse problema.

Primeiramente, é importante notar que o homem, enquanto possuidor de poder decisório, majoritariamente desconsiderará fatores sociais determinantes aos afetados. Isso se vê plenamente em “Revolução dos Bichos”, no qual o autor George Orwell satiriza o comunismo ao pôr o porco “Napoleon”, de ótima dialética, para oprimir e escravizar seus ex-companheiros de fazenda, mesmo sabendo das condições de vida quando integrava o grupo. Nesse sentido, nota-se que o homem é acometido pela falta de empatia, uma vez que, se de fato existisse, problemas como exploração (seja de cunho financeiro, laboral ou sexual), racismo ou “LGBTfobia” seriam de recorrência irrisória, pois a compreensão do outro em sua totalidade promoveria ações de inclusão que reafirmariam as minorias perante a sociedade.

Além disso, é de domínio público que, no decorrer da rápida urbanização dos anos 1950, a periferização nas grandes cidades, bem como a negligência estatal na promoção de serviços a esse fenômeno, é consequência da notória falta de empatia. Tal fato, retratado em “Quarto de Despejo”, por Carolina Maria de Jesus, ao isolar tais populações do direito à dignidade, marginaliza-os e, por ação dos estereótipos comuns a esse povo, reduzem o nível de escolaridade e, por consequência, elevam a criminalidade. Fato é que a negligência estatal, por meio do déficit empático, gera problemas de grande escala que só são resolvidos com repressão policial, como a criminalidade geral, o que não é aconselhado numa democracia, ao passo que apenas se importam com a própria zona de conforto.

Dessa forma, é nítido que a falta de empatia nas relações sociais é um problema grave e urgente. Assim, cabe ao Governo selecionar e entender a importância da representatividade na promoção de ações afirmativas, uma vez que, se feitas pelos mesmos que deslegitimam as lutas das minorias, será um ineficiente processo forçado de caridade e, para isso se reverter, a educação deve trabalhar tal tipo de solidariedade naturalmente e desde o ensino básico por meio de palestras de especialistas, para que os futuros governantes a exerça priorizando a redução de diferenças entre as pessoa em vez da autopromoção política. Somente assim a nação gozará de uma relação empática com seu povo.