ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 07/10/2021
No filme estadunidense “Extraordinário”, é retratada a história de um menino que, por ter nascido com o rosto deformado devido a uma síndrome, lida com diversas situações de preconceito. De modo semelhante, nota-se, no Brasil, o impacto da falta de empatia nas relações sociais, visto que, tal como nessa produção, muitas pessoas são mal compreendidas e excluídas em decorrência das suas particularidades, sejam elas físicas, psicológicas ou de outra natureza. Logo, cabe analisar essa problemática sob a ótica do individualismo exacerbado que permeia o sodalício brasileiro, o qual desemboca na gradativa desumanização do homem.
A princípio, é válido salientar que grande parte das pessoas está cada vez mais individualista e, consequentemente, distante do exercício da empatia nas relações sociais. Nesse sentido, convém ressaltar o que afirmou, em seu livro “Todos Contra Todos”, o professor brasileiro Leandro Karnal: “Os males imperam porque a natureza humana é regida pelo egoísmo e pela autopreservação”. A partir disso, vê-se a necessidade que os indivíduos têm de atender, acima de tudo, aos seus próprios interesses, ainda que isso implique desprezar o bem-estar de outras parcelas da sociedade. Esse tipo de postura, baseado em um individualismo exacerbado, é, infelizmente, comum no sodalício brasileiro, de modo que nutre a redução de práticas empáticas e, assim, contribui para a formação de uma nação pouco fraterna e compreensiva.
Outrossim, é imprescindível ressaltar o caráter desumanizador da falta de empatia nas relações sociais brasileiras. Sob esse prisma, vale destacar a crônica “Mineirinho”, da escritora ucraniana Clarice Lispector, na qual é exposta a expressão “sonsos essenciais”, atribuída a pessoas que fingem estar alheias, por exemplo, ao sofrimento de outros indivíduos, embora estejam conscientes disso. Essa tentativa de se isentar do “mal do outro”, olhando somente para si, tristemente, desumaniza o ser humano e o afasta da empatia, tão necessária na sociedade contemporânea. Dessarte, de forma gradativa, o homem se distancia da sua própria humanidade e, por conseguinte, dos seus semelhantes.
Portanto, urge atenuar a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Para tal, a família e as instituições de ensino devem agir em prol desse objetivo. Isso pode ser feito por meio da instrução familiar acerca da importância de adotar práticas empáticas na vida em sociedade, além da criação, nas escolas, de períodos mensais destinados a exposição, tanto para os alunos quanto para os seus responsáveis, de palestras, filmes e obras literárias que abordem a empatia e a solidariedade. Com isso, haverá mais respeito nos relacionamentos humanos contemporâneos, a fim de que os indivíduos não mais se comportem como “sonsos essenciais”, mas se tornem sensíveis às realidades que os cercam.