ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 06/10/2021
“Ame ao próximo como a ti mesmo”. Apesar da forte presença do Cristianismo na cultura brasileira, preceitos morais como o explicitado nessa máxima não estão tão em voga na atualidade, tendo em vista a frequente falta de empatia nas relações sociais no país, como aponta a pesquisa “Mapa do Ódio” de 2018. A partir desse contexto, é válido analisar o valor dessa virtude para a sociedade e como a precariedade da educação é um dos principais fatores para a ausência dela.
Convém pontuar, de início, que a empatia é uma qualidade essencial ao convívio em sociedade e a ausência dela é um risco à dignidade humana. Um infeliz exemplo da falta desse valor tão importante foi a escravidão de milhões de negros e indígenas que aconteceram durante séculos no território brasileiro - com múltiplas violações à futura Declaração Universal dos Direitos Humanos, como tráfico de pessoas, tortura, cerceamento de liberdade. Tal barbaridade têm sequelas ainda nos tempos atuais - desigualdade social e marginalização, por exemplo - no entanto, provavelmente seria evitada se as relações sociais tivessem sido empáticas, com o sentir a dor do outro e o se colocar no lugar dele.
Observa-se, ainda, que a principal raiz da falta de empatia no Brasil é a precariedade da educação. Isso porque, segundo a Constituição Federal de 1988 a educação visa ao “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, porém, em geral, o sistema educacional brasileiro costuma dar maior enfoque em formar o indivíduo para o Mercado. Assim, por não contemplar a legislação como deveria, o ensino do país não contribui completamente para a formação de um cidadão crítico, com responsabilidade social e consequentemente empático.
Fica evidente, então, como é problemática a ausência da empatia nas relações sociais no país. Para atenuar tal problemática, é necessário que o Ministério da Educação (MEC), por meio de seus próprios recursos financeiros, promova, em todas as escolas, campanhas e palestras educativas que divulguem a importância de ser um cidadão empático. Ademais, o MEC deve para isso contratar profissionais de diversas áreas - como Psicologia, Filosofia, Direito -, a fim de trazer diferentes perspectivas sobre o tema. Dessa forma, será possível ensinar às crianças e aos adolescentes sobre a importância de compreender a dor do outro; obtendo, assim, uma sociedade menos violenta e mais harmoniosa.