ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 06/10/2021

No livro “O Doador de Memórias”, a escritora Lois Lowry constrói um mundo ideal, no qual não existe desigualdade, dor ou conflito. Por outro lado, nesse ambiente fictício, também não existe amor, compaixão ou alegria, todas as emoções são suprimidas. Saindo da ficção, a população brasileira, inconscientemente, copia a obra e suprime seus sentimentos e estados emocionais, principalmente a empatia. Dito isso, no Brasil, a falta desse entendimento empático nas relações sociais causa o aumento das desigualdades sociais e a expansão da solidão humana.

Primeiramente, deve-se entender que, de acordo com o Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa, empatia se caracteriza como a “habilidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa”, ou seja, a compreensão dos sentimentos e ações de outrem. Nesse viés, a falta desse entendimento é um facilitador para que as mazelas sociais se enraizem ainda mais nas plagas brasileiras, já que essa problemática torna o homem mais egoísta e individualista. Desse modo, ao esquecer e desumanizar o outro, seja por gênero, raça ou sexualidade, a dignidade daquele ser está sendo tolhida, pois ninguém o vê como um cidadão de direitos. Sendo assim, quando a empatia não está presente é muito mais fácil segregar e deixar de enxergar figurativamente aquelas minorias que precisam de direitos.

Ademais, a aniquilação do processo empático amplia a solidão humana. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, e suas teses sobre o mundo líquido, a modernidade auxiliou o distanciamento entre os homens e a preservação dessa distância. Dessa forma, a jornada individualista faz as relações tão fugazes que a companhia de outros nunca é, de fato, aproveitada e a tendência presente nas sociedades, incluindo a brasileira, é um mundo no qual os sentimentos envoltos no “eu” valem mais do que o diálogo, a compreensão e o coletivo. Nesse viés, as pessoas ficam cada vez mais solitárias e não se esforçam para quebrar esse “status quo” em que colocaram a si próprios.

Em suma, a falta de empatia nas relações sociais no Brasil causam o aumento das desigualdades e a ampliação da solidão. Desse modo, é dever do Estado mitigar o desequilíbrio gerado pelo individualismo, por meio da criação de projetos e ações coletivos exercidos em todas as comunidades que objetivem a participação dos moradores na solução de problemáticas que atingem os cidadãos mais carentes, assim além de ocorrer um amparo material também ocorreria um cuidado emocional. Além disso, é dever do Ministério da Educação estimular a socialização das pessoas desde os primeiros anos de ensino, por meio de atividades, nas escolas estaduais e municipais, nas quais os alunos aprenderão valores como o respeito, a gentileza e a coletividade, objetivando o desenvolvimento da empatia, assim a vida líquida apresentada por Bauman não ocorreria de forma drástica.