ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/10/2021

Na série estadunidense “Anne with an E”, a protagonista Anne sofre, durante todo o enredo, com  falta de empatia das pessoas ao seu redor e preconceito por sua origem étnica e suas feições. Fora da ficção, é possível observar esse comportamento discriminatório e exclusivo no Brasil do século XXI, em relação questões raciais, regionais e de gênero, o qual prejudica, até a contemporaneidade, a constituição de uma sociedade realmente plural e que respeita a diversidade. Nesse sentido, o cerne da formação da sociedade brasileira, além do pouco uso socialmente produtivo da instantaneidade da comunicação são grandes motores dessa situação. Logo, esse cenário merece um olhar mais crítico.

Diante disso, Lev Vygotsky - ao estudar e desenvolver a “Teoria do Desenvolvimento Humano” - postulou que o meio no qual uma criança se encontra influencia a sua formação psicológica e moral. Sob essa ótica, se a colonização do Brasil foi ocorreu com base em etnocentrismo, escravidão, branqueamento da população e machismo, é previsível a construção de um ambiente guiado por esse tipo de postura, que formou um meio de pouco valor à empatia e à diversidade. Dessa forma, caso esses costumes enraizados há séculos não seja quebrado, o país tende a perpetuar o cenário atual, no qual os crimes de ódio contra gênero, orientação sexual, etnia, religião e origem vão de encontro a direitos humanos básicos e fundamentais, embora sejam latentes para parcela expressiva do povo.

Ademais, conforme Jurgen Habermas, a “Ação Comunicativa” consiste na habilidade de as pessoas debaterem e lutarem pelo que acreditam ser melhor para a comunidade, demandando ampla interatividade prévia. Nesse sentido, a exacerbada presença de mídias digitais e aparelhos eletrônicos na vida da população e a consequente pouca exigência de relações interpessoais diretas e reais, juntas, provocam a ausência de criticidade dos usuários desses veículos. Dessa maneira, sem o uso produtivo das redes sociais e da internet em relação a essa situação por parte das pessoas socialmente conscientes, é iminente a permanência da desvalorização da discussão e combate à falta de empatia nas relações sociais no Brasil, acarretando cada vez mais sofrimento para esses grupos minoritários.

Portanto, é imprescindível a adoção de medidas com real potencial de atenuar essa situação em âmbito nacional. Sob essa conjuntura, é dever do MEC, em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação, promover a implantação de debates e encontros recorrentes acerca da falta de empatia nas relações sociais no Brasil nas instituições de ensino - a partir da inserção dessa temática na carga horária e pedagógica das escolas - além da orientação desses momentos por profissionais da área e estagiários cedidos por Universidades Federais da região, a fim de universalizar a empatia como valor fundamental nas futuras gerações. Somente assim, será possível proporcionar respeito a todo o país.