ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 07/10/2021

“Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza”. Esses são versos da música “Gentileza”, de Marisa Monte, que falam sobre as palavras amigáveis estarem sumindo do cotidiano do povo brasileiro. Nesse contexto, tal situação evidencia a falta de empatia nas relações sociais do país, problema que possui como origem principal a superficialidade nos contatos humanos e que ocasiona, sobretudo, a intolerância.

Primeiramente, cabe destacar a pouca profundidade das interações sociais contemporâneas. Sob essa ótica, segundo Bauman, atualmente, existe uma tendência de individualização crescente, a qual acaba por superficializar os contatos humanos de maneira exacerbada. Dessa forma, percebe-se que as ideias do filósofo relacionadas à liquidez das relações interpessoais são perfeitamente aplicáveis ao Brasil, uma vez que, a partir da pouca capacidade de sensibilização, tal cenário dificulta o exercício de se colocar no lugar do outro antes de agir. Infelizmente, isso comprova que a falta de empatia nas relações sociais advém da pouca profundidade das interações humanas.

Além disso, é importante pontuar a intolerância. Acerca dessa lógica, o livro “O Extraordinário” narra a história de Augie, um menino que possuía uma má formação no rosto e sofria bullying por isso. Durante a narrativa, é possível acompanhar os acontecimentos pelo ponto de vista de uma das crianças intolerantes com a protagonista, o que deixa nítido que o exercício de se colocar no lugar de Augie era escanteado por ela. Fora da ficção, é triste afirmar que falta de empatia também é uma das responsáveis por intensificar os diversos preconceitos enraizados na sociedade brasileira, seja ele de raça, religião, gênero ou classe, afetando diretamente as relações sociais. Tais informações são preocupantes e atestam que a falta de empatia pode gerar discriminação.

Portanto, sabendo disso, o Ministério da Educação deve ampliar a aplicação da pedagogia crítica de Paulo Freire nas escolas brasileiras, por meio do incentivo a debates acerca da superficialidade nas relações sociais do país, para que os alunos desenvolvam contatos mais profundos uns com os outros e com a sociedade em geral. Ademais, esse projeto precisa incluir palestras sobre o preconceito no Brasil, a partir de atividades ministradas por representantes das minorias do país, a fim de reduzir a discriminação. Assim, o crescimento da empatia poderá recolorir a música de Marisa Monte.