ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 07/10/2021
De acordo com o escritor brasileiro Augusto Cury, o sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças. Ou seja, a aceitação da diversidade e a empatia são o caminho para uma sociedade mais igualitária. Entretanto, a população atual sofre com a falta desses fatores nas relações sociais, o que é nítido quando a ausência de voluntários para trabalhos sem fins lucrativos e a não abordagem sobre o tema são observadas.
Primeiramente, é importante notar que as relações sociais estão cada vez mais superficiais. Isto é abordado pelo sociólogo Zygmunt Bauman ao tratar sobre o conceito de modernidade líquida, o qual afirma que os pertencentes ao século XXI estão muito mais preocupados com os direitos jurídicos que com os outros e, por isso, as relações são mais instáveis e menos empáticas. Como consequência disso, cada vez menos pessoas se tornam voluntárias para trabalhos sem fins lucrativos, pois pensam que essa ação beneficia apenas quem recebe e não quem a faz.
Além disso, há na sociedade o desrespeito apenas pela pessoa ser diferente, o que também mostra a falta de empatia entre os cidadãos. Esse comportamento, para o filósofo Mário Sérgio Cortella, está totalmente errado. Segundo ele em uma de suas palestras, o diferente não deve ser tratado como inferior nem desigual, mas sim receber empatia e conseguir trocar de conhecimento. Logo, a capacidade de compreender sentimentos e emoções, de se colocar no lugar do outro é importante para a formação de uma pátria mais igualitária. Porém, a sociedade atual não aborda essa faculdade, o que dificulta o processo de redução da desigualdade no Brasil.
Diante do exposto, a falta de empatia nas relações sociais no país é prejudicial à qualidade de vida dos clientes e envolve uma sociedade a estigmas e ao egoísmo. Sendo assim, o Ministério da Educação deve organizar palestras por meio das mídias sociais - redes sociais, televisão, jornais - com o objetivo de mostrar a importância do trabalho voluntário e como ele beneficia quem o faz, e incentivar a abordagem da empatia nos discursos de profissionais e familiares. Ademais, o Ministério da Cidadania pode aproveitar o engajamento dessas palestrar para fazer propagandas que concientizem a população da importância de viver com o diferente. Dessa maneira, a sociedade conseguiria ser mais igualitária, com uma boa qualidade de vida para todos, sem preconceitos. E desse modo, a modernidade não poderia mais ser considerada líquida, mas sim sólida, pois as relações sociais seriam estáveis, verdadeiras e duradouras.