ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/10/2021

O poema “O Bicho”, do poeta brasileiro Manuel Bandeira, retrata a marginalização de parte da população que, sofrendo com a falta de mecanismos básicos para a sobrevivência, é obrigada a viver em condições de vida semelhantes a de alguns animais. Essa desumanização, infelizmente, tornou-se comum em diversas relações sociais no país, em que a falta de empatia, gerada pelo individualismo, permite a perpetuação dessa realidade e a banalização do sofrimento.

Primeiramente, é necessário destacar que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil deve-se a valoriação de convicções individualistas e negligêntes. Tal concepção baseia-se na teoria da “Modernidade líquida”, do sociólogo Bauman, o qual afirma que a contemporaneidade é marcada pelo egocentrismo e pela fragilidade dos relacionamentos. A  partir dessa perspectiva, percebe-se como essa ideia reflete a atual conjuntura nacional, a qual os indivíduos, desde a infância, são expostos a ideologias egoístas, em que o a dor e os sentimentos dos demais sujeitos são ignorados. Desse modo, nota-se que atitudes que visem compreender e respeitar as características e as situações dos outros não são, infelizmente, valorizadas no país e, assim, cria-se uma sociedade voltada para o “eu”.

Ademais, é válido ressaltar que a falta de empatia nas relações sociais no país leva a normalização do sofrimento. Tal perspectiva está associada à teoria da “Banalização do mal”, da filósofa alemã Hannah Arendt, a qual afirma que males tornaram-se tão comuns na sociedade que os indivíduos passam a praticá-los sem perceberem os prejuízos de suas ações. Com base nessa concepção, percebe-se que diversas condições precárias e desumanas, como a realidade de pessoas em situação de rua e o preconceito contra grupos minoritários, são consideradas naturais pela população, a qual age com negligência e descaso em relação aos sentimentos e à dor do outro. Dessa forma, observa-se que a valorização de atitudes e convicções egocêntricas não só influencia na ocorrência desses atos cruéis, mas também forma cidadãos indiferentes e incapazes de combater esse triste cenário.

Logo para que a falta de empatia nas relações sociais seja superada, as escolas, principais instituições responsáveis por formar os indivíduos, devem valorizar atos empáticos mediante a realização de projetos com o apoio de organizações não governamentais, os quais levem os alunos, juntamente com seus responsáveis, para participar de atividades que visem auxiliar o próximo, como a arrecadação e distribuição de produtos básicos para pessoas em situação de rua, a fim de construir uma sociedade menos egocêntrica. Ademais, a mídia precisa combater a banalização do sofrimento, por meio de programas que mostrem relatos de cidadãos que vivem em realidades precárias e desumanas, para que, assim, condições como expostas no poema “O Bicho” sejam suprimidas.