ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 08/10/2021
A dinâmica da realização constante de uma “atitude blasé”, a qual, defendida pelo estudioso George Simmel, exprime comportamentos individualistas, está presente na contemporaneidade, pois os indivíduos estão ficando cada vez menos empáticos e mais indiferentes com o que acontece a sua volta. No Brasil, essa problemática reflete na ocorrência crescente de crimes relacionados as intolerâncias de gênero, raça, religião e orientação sexual, pelo fato de que os cidadãos não respeitam as diferenças existentes e não tem empatia suficiente para aceitá-las. Diante dessa situação, é preciso analisar como esse individualismo afetou a prática de compaixão social, fazendo com que os brasileiros contribuam cada vez menos em prol da pluralidade e de boas condições de vida no país, além destes estarem completamentes restritos a almejar apenas por sua ascenção pessoal.
Em um primeiro aspecto, é preciso destacar que o Brasil é considerado o sétimo país mais desigual do mundo de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, e poucas pessoas se mobilizam diante de mudar essa realidade. De certa forma, os programas não governamentais(ONGs) procuram ajudar nesse aspecto, acolhendo as minorias e oferecendo uma melhoria nas condições de vida de muitos brasileiros, porém, como funcionam a base de doações gerais, muitas vezes não conseguem fundos suficientes para atuar da melhor forma. Isso está atrelado a falta de compaixão das pessoas, que não se dispõem a serem empáticas e ajudar sem receber nada em troca.
Em um segundo aspecto, a modernidade expressa comportamentos da “Sociedade do Cansaço”, teorizada pelo sociólogo Byung Chul Han, a qual, mostra que as pessoas estão inteiramente focadas no processo de ascenção social e acabam esquecendo o mundo a sua volta, resultando na banalização de situações importantes e falta de empatia em vários aspectos. Por exemplo, grupos marginalizados pela sociedade, como os moradores de rua, parecem não ter nenhuma perspectiva de melhora, visto que poucos se disponibilizam a ajudá-los e oferecer oportunidades de emprego. Contudo, a falta de sensibilidade nas ações humanas pode ter mudanças se a mobilização para que isto aconteça for feita.
Fica claro, portanto, que com a adoção de algumas medidas por parte do gorverno, a sociedade será mais empática. Primeiramente, o Ministério da Educação deve promover o conhecimento geral da importância de doações e participação de ações sociais sem fundo lucrativo, por meio de debates nas escolas e também da distribuição de cartazes nas ruas, que incentivem a participação em ONGs e doações para estas, contribuindo para que a desigualdade social diminua. Além disso, o Ministério da Cidadania pode instigar ações ao próximo, por intermédio de criações de prêmios distribuidos aos que forem empáticos com o outro. Quiçá, o país não será mais palco para realização de “atitudes blasé”.