ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 08/10/2021
A famosa frase do pensador inglês Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, retrata o seu entendimento no que se refere ao egoísmo humano em meio à vida em sociedade. Sob tal óptica, a ausência da solidariedade e da atividade de se colocar no lugar do próximo reflete uma tendência moderna em que existe, cada vez mais, a necessidade de se sobressair acima dos outros com intuito de garantir prestígio social. Desse modo, o decréscimo de sujeitos e atitudes empáticas nas relações entre os brasileiros é altamente prejudicial para o estabelecimento da vida e da paz em comunidade, evidenciando as problemáticas que atingem o país e o paradoxo entre progresso científico-industrial e o regresso social.
Em primeiro lugar, é indubtável que há uma relação indireta entre a capacidade de reconhecimento, comoção e envolvimento com situações críticas que aflingem uma pessoa ou grupo específico, e o índice de reações violentas ao que é diferente e pouco aceito. Nesse âmbito, o Brasil registra os maiores patamares de crimes contra os LGBTQIA+ do mundo, sendo essa estatística ligada ao fato de que transsexuais e travestis tenham uma expectativa de vida na faixa dos trinta, equanto a população geral tente a viver até os 80 anos. Sendo assim, isso demonstra a rejeição causada por uma visão homogênia de mundo, fenômeno denominado por Émilie Durkheim de coerção social, pois não se busca englobar o que foge do padrão, ocasionando os preconceitos e, por conseguinte, mais dificuldades para a sobrevivência das minorias.
Além disso, o aumento das cidades e a sensação de acirramento temporal devido ao dia-a-dia nesse meio trouxe consequências para a criação e aprofundamento de laços interpessoais. Nesse sentido, o pensador contemporâneo Noam Chomsky relata que a intensa urbanização corrobora para a formação de pessoas cada vez mais individualistas, que não fazem questão de se preocupar com os outros em sua volta. Logo, o ser humano centraliza sua atenção em si mesmo como forma de sobreviver em uma civilização competitiva que preza muito mais o sucesso profissional e financeiro em detrimento da coletividade, relações amigáveis e amorosas.
Portanto, é fundamental que a sociedade se organize para restabelecer a compreensão e ação em favor dos outros sujeitos. Para tanto, cabe aos educadores do ensino básico brasileiro da área de Ciências Humanas realizarem o exercício de práticas empáticas a partir de aulas teóricas sobre os valores de comunidade, do coletivo e da importância do papel do indivíduo na construção desses aspectos; aliado a sessões de debate entre alunos acerca do que pode ser feito para contribuir para o mundo, formando jovens conscientes sobre a valorização do próximo em prol de todos e de si mesmo.