ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 08/10/2021
Em maio de 2021 a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação na favela do Jacarezinho, resultando em 29 mortes e diversos relatos de execução policial. Tal acontecimento escancara a desvalorização da vida pelo estado, o que institucionaliza e amplia a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Sendo necessárias medidas que reduzam a violência estatal e promovam a empatia na sociedade.
Primeiramente é necessário compreender que o estado deve ser o exemplo máximo de respeito à vida. Este é o princípio que rege nossa Carta Magna. Contudo, ao desrespeitar tal princípio o governo normaliza a violência, e a sociedade passa a se acostumar cada vez mais com casos de violência e fica apática, trazendo essa normalização para dentro de suas relações sociais.
Ademais, o estrago causado pela polícia em morros e favelas é muito bem aproveitado por programas sensacionalistas para promover o ódio contra bandidos e classes mais baixas. A reportagem do The Intercept Brasil, “Como Datena e os programas pinga-sangue ensinaram os evangélicos fundamentalistas a odiar”, mostra de maneira didática como estes programas promovem um déficit de empatia na sociedade, retratando um criminoso como alguém “menos humano”, o que condiz com a desvalorização da vida promovida pelo estado.
Portanto, a Chacina do Jacarezinho torna evidente a necessidade de contenção da violência policial com o objetivo de se promover a empatia. Para isso o Poder Judiciário deve agir de forma mais contundente na punição e supervisão de atividades policiais ilegais, por meio da criação de comissões compostas por juízes, membros do Ministério Público e da OAB, para acompanharem as operações policiais em áreas de conflito a fim de impedir execuções e outras ações que diminuam o valor da vida e promovam o ódio e a apatia.