ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 08/10/2021
Tolerância, compreensão e compaixão são sentimentos que veem perdendo cada vez mais espaço na vida das pessoas, no paradoxo de uma aldeia global em que as distâncias físicas se encurtam ao mesmo tempo em que as relações sociais se distanciam.No Brasil, esse afastamento entre os indivíduos ganha contornos de egoismo e indiferença para com o outro, vive-se, como fora caracterizado por um filósofo contemporâneo, a cultura do “Eu” e do “Nós” em detrimento do “Tu”.Nesse sentido, há um enfraquecimento do exercício da alteridade nas relações entre os brasileiros, em que a dor do outro é menosprezada em prol de uma coletividade ou, de uma individualidade.Assim, gera-se uma sociedade fragmentada, ocasionando prejuízos no desenvolvimento da sociedade como um todo.
Permanecendo no Brasil, presencia-se uma pluralidade de grupos de minorias e, de invíduos, que se isolam do restante da sociedade ao carregarem as bandeiras ideológicas de suas bolhas de influência.Assim, fragmenta-se a malha social em diversas esferas, cada qual com sua própia ideologia e maneira de ver e, se fazer existir na realidade social.Dessa forma, há um enfraquecimento direto das relações humanas que permeiam e integram a sociedade, esses atores sociais, cegos e “embriagados” de seus pórprias convicções, acabam assumindo as interações humanas de forma unilateral.Isso, traduz-se na ausência de empatia para com o outro, ao passo que se nega o exercício da alteridade para se entender o ponto de vista alheio, o que corroboraria para a construção de um diálogo produtivo quando duas visões de mundo distintas se encontrassem.
Ademais, a falta de empatia nas realções sociais brasileiras contribui para o empobrecimento da sociabilidade entre os indivíduos.Assim, abre-se margem para a flexibilização dos preceitos éticos e morais que regem a sociedade, a ausência dessas diretrizes, no contato humano propriamente dito, em que a construção participativa das relações e, do entendimento do outro, requer o intermédio do sentimento, gera sentimentos de apatia e anomia sociais.Assim, opostos ao exercício da alteridade, essas derivações emocionais enfraquecem a integração dos indivíduos na sociedade, assim como mecanizam as interações sociais, muitas das vezes reduzindo-as à números e estatísticas, o que prejudica o densenvolvimento orgânico da malha social.
Destarte, para que a problemática relacionada à falta do exercício da empatia, nas interações humanas brasileiras, seja mitigada, o Ministério da Educação deve agir na integração à grade escolar básica de disciplinas que estimulem a integração e a sociabilização dos indivíduos.Tal medida, deve ser inserida no ensino fundamental no intuito que a criança cresça desenvolvendo o sentimento de empatia em função do estímulo à interação com o outro, suas dores, anseios e aflições, enfim, humanizar-se.