ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 12/10/2021
No livro “Diário de Anne Frank”, é retratada a história de uma família judia que durante a perseguição antissemita nazista consegue, com apoio de pessoas bem intencionadas, esconder-se em um buncker por boa parte desse horrendo período. No entanto, essa realidade empática não é vivenciada na totalidade das relações sociais no Brasil. Dessa forma, modificar esse quadro, que é corroborado por um machismo histórico e, também, por características do mundo contemporâneo, é essencial para a formação de um ambiente social mais harmônico.
Em primeira análise, a sociedade brasileira foi alicerçada, a partir de relações machistas, nas quais as vontades das mulheres são suprimidas pelas masculinas. Assim, o escritor alagoano Graciliano Ramos produziu a obra “São Bernardo”, na qual ele retrata as imposições do marido sobre os desejos de sua mulher, essa situação de extrema falta de empatia acarreta no suicídio dela, desse modo, expressando o poder que uma relação social de pouco afeto com o outra possui. Nessa perspectiva, romper com o passado histórico é fundamental para que as mulheres brasileiras possam usufruir de uma característica que transforma os indivíduos em humanos, a empatia.
Além disso, as relações sociais do ambiente tecnológico contemporâneo são, também, promotoras de um mundo menos empático. Nesse sentido, o filósofo Zygmunt Baumam, estabeleceu o conceito de Modernidade Líquida, no qual ele afirma que as interações entre os indivíduos são fluídas na atualidade, assim, formando sociedades marcadas pelo individualismo. Dessa maneira, a empatia, como uma forma de estar com o outro, acaba sendo afetada por essa nova organização das comunidades humanas.
É necessário, portanto, para romper com a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, que o Estado promova a derrubada de ideários machistas, que incentivam a retirada da autonomia feminina, a partir de palestras nas escolas produzidas pelo Mistério da Mulher, para que a sociedade tenha empatia com as mulheres, que representam metade da população. Ademais, ele deve, também, estimular ações de empatia na sociedade, premiando projetos, nos quais as pessoas são solidárias com as outras, como o Centro de Valorização da Vida que ajuda indivíduos, principalmente, a não cometerem suicídio, com objetivo de formar uma comunidade humana em que os cidadãos se importem uns com os outros.