ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 09/10/2021
Ter empatia é uma das qualidades mais importantes dos seres humanos. Ela permite a compreensão dos sentimentos e necessidades do outro para além do próprio ego, possibilitando a solidariedade verdadeira que, ademais, propicia a existência do senso de comunidade. É sentimento que nos é essencial desde os tempos mais remotos da história da humanidade, quando para sobrevivência e proteção do grupo todos se consideravam uma unidade, e sentiam como tal.
Apesar de não ser algo novo no mundo, e mesmo dotada de importância desde os primórdios, há quem negue ou desconsidere a noção de ser empático. Os exemplos mais gritantes da falta de empatia na sociedade brasileira são sentidos todos os dias na pele de quem faz parte de grupos alvos de preconceito. Para citar uma instância em que essa falha levou o país ao topo de uma estatística vergonhosa, o Brasil é o país que mais mata transexuais e travestis no mundo.
Mais que moralmente frágil, uma sociedade não empática torna-se fragmentada, perigosa e fraca. Fragmentada porque a não preocupação com as questões alheias leva à desumanização e rejeição de pessoas consideradas “piores” que a maioria. Perigosa, uma vez que o não se importar com o próximo e vê-lo como menos e menor que si torna-se justificativa para atos de violência. E, finalmente, fraca, pois a desunião e hostilidade ou indiferença entre as pessoas e grupos destrói o senso de unidade e comunhão social, levando cada vez mais ao individualismo e superficialidade de relações, tornando mais fácil o desmantelamento da sociedade, já que cada um passa a se preocupar apenas com os próprios interesses.
Para criar uma sociedade mais empática é preciso introduzir a noção de que a diversidade existe, é importante e desejada, que o respeito e a compaixão são essenciais para um país próspero e seguro. Ações governamentais e escolares que tragam tais esclarecimentos são os caminhos mais incisivos para garantir essa mudança.