ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/10/2021

No livro “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, o protagonista, Severino, sai do sertão e vai a São Paulo, afim de ter uma vida digna. Entretanto, ao invés de uma vida digna, ele se depara com uma série de pessoas que não se importam com ele ou com sua situação. Fora da literatura, interações sociais como a descrita são encontradas na sociedade brasileira atual, uma realidade que contradiz com a cultura dos brasileiros de serem muito empáticos. Diante disso é importante entender tanto a origem dessa cultura, quanto a falta de empatia observada atualmente no Brasil.

Em primeira análise, é primordial entender que o Brasil possui uma fama de empáticos em diversos lugares do mundo. Tal fama, foi criada no século XX, onde foi amplamente divulgada uma visão de um Brasil igualitário, onde os índios, africanos e imigrantes, construiram um pais empático, perfeito e unido. Forçosamente, tal narrativa teve o intuito de atrair investimentos e turismo para esse Brasil acolhedor criado por alguns políticos. Essa pesperctiva pode ser observada num exemplo mundialmente conhecido, a Carmen Miranda, cantora brasileira que demonstrou um Brasil feliz,  sempre sendo muito convincente e empática com o seu público, ao redor do mundo principalmente nos Estados Unidos.

Paralelamente a isso, é inquestionável que as relações sociais do século XXI, são muito diferentes dos séculos passados, que é justificável pelo molde individualista que a sociedade capitalista atual tem se configurado. Segundo o filosófo sul-coreano, Byung-Chul Han, a sociedade atual se configura como uma sociedade do cansaço, que tem por unico viés, a produção e desempenho individual para fins financeiros, deixando de lado simples interações sociais que não tragam bens materias de “recompensa”. Configurando-se nessa visão as relações empáticas, que infelizmente a medida que essas relações não se desenvolvem no brasil, por ser um país desigual, se tornam comum situações onde grande parte da população depende dessa empatia para ser aceita socialmente, deixando a margem da sociedade essa população que devido a mentalidade vigente no brasil, não recebem a devida atenção. Boa parte dessa população se compõe por pessoas em situação de rua, que são ignorados tanto pelo poder público, quanto pelas instituições privadas.

Portanto, é urgente uma mudança de paradigma social em todas suas ventres. Para isso, cabe ao Estado, mais especificamente ao Ministério da Cidadania, que deve aumentar o incentivo financeiro para ONGs, que visam o desenvolvimento social dos indíviduos, para que as mesmas tragam meios para o desenvolvimento de interações socias da população excluidas, facilatando assim a reintrodução dessas pessoas a vida em sociedade, excluindo a mentalidade individualista atual. Dessa forma transformando uma fama enganosa do século XX, em realidade no século XXI.