ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 10/10/2021

No filme ‘‘O poço’’, os personagens são dividos em andares, no qual um grupo de pessoas é responsável pela alimentação de outro. Nesse crítico cenário, apesar de a solução para o impasse ser a consideração pelo próximo, os jogadores optam pelo egoísmo. Paralelamente, devido aos comportamentos nocivos enraizados e a cultura individualista moderna, é sustentada no Brasil a falta de empatia nas relações sociais.

Nessa perspectiva, os comportamentos nocivos arraigados são, indubitavelmente, o pilar da problemática. Sergio Buarque de Holanda, renomado historiador brasileiro, pode fundamentar isso por intermédio de sua obra “Raízes do Brasil”. Conforme o erudito, práticas que permaneceram há muito na história da nação refletem diretamente em comportamentos hodiernos. Para melhor compreensão, o autor destaca a questão da cultura patriarcal e a escravidão convertidas no machismo e racismo atual. Por essa perspectiva, lamentavelmente, a tese de Holanda é comprovada, visto que os crimes de ódios são motivados, majoritariamente, pelo gênero e pela cor de pele, conforme aponta o website Gênero Número. Desse modo, a empatia nas relações dos brasileiros é inibida e o corpo social direcionado a um estado deplorável de desprezo com o próximo.

Ademais, a cultura individualista moderna é um fator agravante do problema. Yuval Noah Harari, renomado pensador israelense, é capaz de exemplificar isso por meio de sua obra “Sapiens”. Segundo o sábio, qualquer civilização pensa e age de acordo com seu sistema de crenças. Por esse ângulo, o autor destaca que os diversos problemas relacionados à marginalização social e à violação do meio ambiente derivam do sistema de crenças moderno, o qual valoriza demasiadamente o indivíduo em detrimento de qualquer circunstância. Nesse sentido, visto que o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, de acordo com a Organização das Nações Unidas (OMS), infelizmente, a conjuntura projetada por Harari é corroborada. Dessa maneira, o contexto brasileiro atual, tenebrosamente, assemelha-se à ficção produzida pela Netflix.

Portanto, diante dos fatos apresentados urge a necessidade de mudança desse terrível quadro. Nesse âmbito, é mister que o Ministério da Cidadania, em conjunto com a grande mídia amenize a influência dos comportamentos arraigados e da crença individualista nas relações por meio da criação de campanhas publicitárias educativas, que visam esclarecer à população sobre os benefícios da cooperação com o próximo e os malefícios do individualismo e da antipatia, com o intuito de fortalecer a empatia na comunidade. Somente assim, o crítico cenário apresentado em “O Poço” não se tornará realidade.