ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 12/10/2021
No documentário “O Dilema das Redes” é retratada a interferência dos meios de comunicação nas interações interpessoais, pois quando as ferramentas virtuais são utilizadas de forma errada elas podem fomentar o afastamento entre as pessoas. Sob tal aspecto, é notável que no mundo moderno, em especial no Brasil, a falta de empatia nas relações sociais é um problema existente. Isso acontece devido à propagação de ideias individualistas, como também à carência de um “olhar” mais humano entre os cidadãos.
De início, o sistema capitalista inseriu uma concepção de lucratividade e desenvolvimento que conta com o crescimento pessoal, de modo que o universo individualista é colocado em detrimento do sentimento de compaixão pelo outro. Dito isso, conforme o sociólogo Zygmund Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, o ser humano não consegue mais criar laços com o próximo, pois o “eu” prevalece nas relações contemporâneas. Sob tal conceito, é perceptível que a empatia é carecida na sociedade porque os cidadãos vivem uma realidade que propaga o sucesso individual e que não admite relações de sensibilidade e de ajuda para com o outro. Portanto, educar a população a mudar o ideal individualista é um caminho para trazer empatia nas interações sociais.
Outrossim, a falta de empatia está ligada a carência de humanidade para com as emoções do próximo, por exemplo na série “Round 6”, na qual é discutida se os grupos marginalizados precisam ser ajudados e se o resto da sociedade estaria disposta a fazer isso. Isso posto, de acordo com a escritora Eliane Brum, a gentileza é rara nos dias atuais, porém, se as pessoas tentassem ser gentis os dias seriam mais leves e os sentimentos que deixam a sociedade mais triste e desunida seriam minimizados. Nessa perspectiva, a empatia pode surgir advinda de pequenos atos como maneira de humanizar as relações e com intenção de tornar o país um lugar melhor. Dessarte, com as empresas e o Estado juntos em prol de ações empáticas é possível existir uma comunidade mais humana.
Logo, medidas necessitam ser tomadas para reduzir a falta de empatia na sociedade brasileira. Para isso, o Ministério da Educação deve promover programas de interações sociais, mediante projetos e palestras nas escolas com especialistas em Direitos Humanos que enalteçam o desenvolvimento coletivo, a fim de que as pessoas possam perceber a necessidade de ter compaixão com o próximo. Ademais, o Governo e as empresas precisam criar campanhas, por intermédio das mídias (com propagandas que promovam a gentileza) e da organização de eventos com ajuda de Organizações Não Governamentais que corroborem atitudes empáticas entre os cidadãos, para que as comunidades possam “ver” além de si mesmos e possam agir diferente do que é notado por Bauman.