ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 10/10/2021
No filme “Cruella”, é retratada a apatia de uma estilista, a Baronesa, cruel, desprezível e sem qualquer compaixão pelo próximo. Fora da ficção, é fato que essas características hostis, infelizmente, também estão presentes no Brasil hodierno e fomentam a falta de empatia. Nesse sentido, a problemática supracitada ocorre devido ao afrouxamento das relações sociais e à naturalização da apatia.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o distanciamento dos relacionamentos contemporâneos contribui para a carência de compaixão. A esse respeito, conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, a insensibilidade dos indivíduos perante as adversidades externas é fruto da liquidez moderna. Sob esse viés, verifica-se as relações interpessoais fluidas geram a apatia populacional, uma vez que as conexões humanas são facilmente construídas e desfeitas, o que transforma vínculos familiares, amorosos e fraternos em contatos efêmeros e, por conseguinte, destituídos de profundidade e empatia. Dessarte, constata-se a necessidade de mudar o cenário indiferente da atualidade.
Ademais, observa-se a normalização da insensibilidade como uma entrave à promoção da empatia. Nesse contexto, segundo a filósofa Hannah Arendt, a banalização do mal acontece por conta de atos irrefletidos e constantes. A par desse raciocínio, percebe-se que a repetição cotidiana de atitudes apáticas, tais como o desamparo social velado e os crimes de ódio, resultam da naturalização dessas desventuras, as quais provém de indivíduos indiferentes e sem compaixão, como a Baronesa, que não tiveram oportunidades de engendrar ações solidárias. Sendo assim, fica evidente a premência de suprimir tal trivialização.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar a falta de empatia no Brasil. Diante desse fito, urge que o Ministério da Educação, por meio de uma reforma no currículo basilar, desenvolva um projeto amplo que vise à inclusão de conteúdos sobre inteligência emocional, compaixão e discernimento perante atos banais, por intermédio da capacitação do corpo docente, da realização de rodas de conversa, da distribuição de cartilhas e das reuniões com alunos e seus responsáveis. Desse modo, espera-se que relacionamentos líquidos e atitudes apáticas permaneçam tão somente no plano teórico.