ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 12/10/2021
Em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor português José Saramago aborda as consequências sociais de uma epidemia que torna toda a população mundial cega, nesse contexto é desenvolvido o termo “eclipse de consciência”, a fim de sintetizar a falta de empatia do ser humano ante as adversidades. Fora da ficção, também constata-se na sociedade brasileira a falta dessa conexão empática nas relações sociais, ligadas não às raízes históricas, mas também à acriticidade. Primordialmente, é válido se ressaltar a relavância da construção histórica da sociedade brasileira nessa problemática. Com a ocupação do território brasileiro, pelos portugueses no século XVI, houve o início da inserção de ideologias que justificassem a dominição tanto de nativos quanto de escravizados africanos.Ademais, essa manipulação advinha não apenas da coroa, mas também da igreja, prova disso é a frase proferida pelo Padre jesuíta Antônio Vieira “Vós sois como as abelhas, fazeis o mel não para vós. “, numa nítida corroboração da escravidão pela fé.Diante disso, pode-se afirmar que devido aos moldes aos quais a sociedade brasileira foi desenvolvida, no âmbito político em consonância com o religioso, a falta de empatia, em um cenário de inércia estatal, é esperada.
Concomitantemente, é imprescindível destacar a inreflexão como fator de suma importância nessa problemática. Segundo a socióloga judia Hannah Arendent, em sua pesquisa envolvendo um militar nazista, o ser humano acrítico pode cometer grandes atrocidades sem apresentar remorso, tendo em vista que não refletem os impactos de seus atos próprios, gerando assim a banalização do mal. Diante desse pensamento, pode-se inferir que uma sociedade, tal qual a brasileira, na qual inexiste a preocupação em criar cidadãos críticos, por conseguinte mais empáticos, há uma maior intolerância aos diferentes, seja em raça, credo, gênero. Em decorrência disso, essa acriticidade precisa ser combatida.
Portanto, esperam-se ações do Estado. Cabe ao Poder Público implementar o sistema freiriano de ensino, por meio de crusos profissionalizantes que objetivem capacitar os docentes ao ensino voltado à formação do pensamento crítico, a fim de gerar discentes reflexivos e, em vista disso, mais empáticos. Ademais, deve também, em parceria com ONG’S, realizar debates e palestras em escolas sobre a origem da falta de empatia na sociedade brasileira, com o intuito de gerar o debate nas mais diversas camadas sociais, desse modo conscientizando cada vez mais brasileiros. Assim, torna possível a superação desse eclipse de consciência ao qual se encontra o país.