ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 11/10/2021
O pensador Zygmunt Bauman, em sua teoria da modernidade líquida, defende que as interações interpessoais, na contemporaneidade, tornaram-se frágeis e marcadas pelo individualismo. Nesse contexto, a empatia perde força na sociedade brasileira, o que impacta negativamente as relações sociais. Assim, vê-se que uma das causas dessa problemática é o modelo educacional vigente e um dos efeitos é a propagação de preconceitos.
A princípio, o sistema de ensino em voga no Brasil não contribui para a formação de indivíduos empáticos. Sob essa ótica, para o educador Paulo Freire, o papel da educação, além de difundir conhecimentos técnicos, é o de preparar os discentes para a prática da cidadania, de modo a fomentar o respeito ao próximo. No entanto, percebe-se que, muitas vezes, as escolas são puramente conteudistas, fato que fortalece a formação de pessoas egoístas e que constroem relações sociais pouco saudáveis, tendo em vista que não pensam no bem estar de outrem.
Ademais, a falta de empatia consolida a prática de atos discriminatórios. Nesse sentido, segundo o sociólogo Sérgio Buarque, os brasileiros são “homens cordiais”, pois agem com base na emoção e tendem a impor vontades particulares à coletividade. Diante disso, a ausência de sentimentos empáticos corrobora com essa faceta do povo brasileiro e amplifica a disseminação de pensamentos intransigentes e a naturalização de preconceitos, que são danosos às relações sociais, haja vista que defendem a superioridade de alguns em realação a certos grupos.
Portanto, urge que a empatia seja fortalecida no Brasil. Assim, as instituições de ensino devem investir na formação cidadã de seus alunos, por meio da promoção de debates com temas sociais, que ocorram nas disciplinas de Ciências Humanas, e que mostrem a importância do respeito ao próximo, com o fim de se construir indivíduos mais tolerantes. Outrossim, cabe ao Ministério da Cidadania mitigar preconceitos presentes na sociedade, por meio de campanhas televisivas que divulguem a necessidade ser empático para o bom convívio social. Dessa forma, o individualismo da modernidade líquida se dissipará.