ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 11/10/2021
Na obra cinematográfica francesa “Intocáveis”, os dois protagonistas são obrigados a compreender realidades completamente diferentes para desenvolver um bom convívio, assim, exercem a empatia. No entanto, a realidade brasileira demonstra relações sociais pouco empáticas, nas quais a população não pratica o altruísmo, o que dificulta os vínculos interpessoais. Nessa perspectiva, a escassa discussão sobre a importância da tolerância somada à falta de solidariedade social são possíveis razões para a problemática.
Em primeira análise, o debate acerca da necessidade do entendimento ao próximo é insuficiente, o que implica em preconceitos erroneamente estabelecidos pelos indivíduos. Nesse viés, de acordo com o conceito de habitus, do sociólogo frânces Pierre Bourdieu, o ser humano é impactado pelo comportamento coletivo do âmbito social. Nesse sentido, analogamente ao conceito definido por Bourdieu, a disseminação da discussão sobre a relevância da empatia cometida pelo corpo social resultaria na percepção das diferenças existentes, além de prosperar maior tolerância por parte dos cidadãos, o que beneficia a nação brasileira de forma geral. Logo, o compartilhamento de informações é essencial para combater a intolerância, essa que impede a prática da empatia.
Outrossim, os brasileiros carecem de consciência pessoal em relação a solidariedade, qualidade que favorece a comunidade e melhora a evolução da sociedade. Dessa maneira, segundo Émile Durkheim, sociólogo frânces, a solidariedade é um valor no qual os residentes de um local se ajudam para que possam compartilhar as mesmas experiências e o mesmo modo de vida. Nesse contexto, é preciso assimilar a existência de diferentes pontos de vista, para aprender o hábito da solidarização. Bem como, esse amparo fornece oportunidades para quem auxilia e para aquele que é auxiliado, a troca de conhecimentos proporciona a garantia o exercício da empatia. Desse modo, a solidariedade é uma ferramenta efetiva para construir melhores relações.
Portanto, é inegável a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Primeiramente, é um dever pessoal promover discussões sobre a carência de empatia nas conexões interpessoais, por meio da análise da própria conduta no que se refere aos outros indivíduos, com a finalidade de ampliar a tolerância e de incetivar a mudança no habitus descrito por Bourdieu, em vista de alcançar uma convivência mais adequada para todos. Ademais, é imperativo que a solidariedade seja algo frequente dentro da comunidade, pois essa característica é capaz de promover grandes transformações de caráter empático a partir de pequenas atitudes.