ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 12/10/2021
Na obra renascentista Escola de Atenas, de Rafael Sanzio, é retratado a necessidade de socialização e de respeito entre pessoas de diferentes classes e contextos sociais. De maneira análoga a pintura, a realidade brasileira embora diversificada ainda sofre com a falta de empatia em suas relações, reflexo disso é o surgimento de pessoas cada vez mais egoístas e individualistas na sociedade. Dessa forma, é necessário debater sobre o papel da modernidade no afloramento dessa situação e os impactos sociais como resultado de tal.
A priori, com base no pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, a modernidade traz consigo uma liquidez das relações, ou seja, as relações tornam-se algo frágil, de fácil maleabilidade, o que afeta diretamente na ação da empatia atualmente. Assim, sem a garantia de que seus vínculos sociais serão duradouros ou imutáveis, as ideias de solidariedade e coletividade são substituídas pelo “eu” em primeiro lugar, resultando em pessoas apáticas e movidas pelo imediatismo das conexões.
Em segunda análise, de acordo com pesquisa da Universidade Estadual de Michigan, o Brasil ficou em 51º lugar no ranking dos países mais empáticos do mundo, só que apenas 63 países foram analisados. Com isso, é nítido que empatia ainda é algo que está em falta no brasileiro, e como consequência disso temos casos frequentes de racismo e preconceito movidos pelo ódio. A falta do sentimento de colocar-se no lugar do próximo faz com que tudo aquilo que é diferente seja encarado como algo negativo, potencializando o processo de exclusão social e a desigualdade.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver a problemática no Brasil. O Governo Federal deve promover palestras - que conte com profissionais especializados para debater o impacto na sociedade - em escolas e espaços públicos visando atingir o maior número de pessoas, com objetivo de criar atividades de coletividade e reflexão sobre o papel que cada um exerce no seu ciclo social. Para que assim, com a prática da empatia, a harmonia vista na Escola de Atenas seja alcançada.