ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 12/10/2021
No filme “E se eu fosse você” é retratado um acontecimento inusitado em que há uma troca de corpos entre um casal; à medida que vão enfrentando obstáculos, eles passam a aprender e a entender mais sobre o outro. Análogo ao filme, hodiernamente, no Brasil, existe uma necessidade de se colocar no lugar do outro — não literalmente —, propiciando uma empatia nas relações sociais. No entanto, essa prática não é assídua entre os brasileiros por causa da liquidez das associações entre os brasileiros, e, acaba gerando uma desumanização nos vínculos interpessoais.
A princípio, cabe inferir que, no Brasil, há uma superficialidade nas relações e pouquíssima vivência empática entre os cidadãos. A saber, tem-se uma pesquisa divulgada pelo site de notícias Uol, a qual afirma que o Brasil ficou em 51º lugar entre os países mais empáticos do mundo — sendo que apenas 63 países foram analisados. Tal dado é preocupante e contradiz a fama de o Brasil ser um país de povo alegre, simpático e caloroso, evidenciando que, o exercício da empatia é algo mais profundo do que um bom tratamento. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman chama a realidade evidenciada de Modernidade Líquida, em que, as vivências estão cada vez mais passageiras, rápidas e rasas. Destarte, é notório que a falta de profundidade nos contatos pessoais é um dos fatores que ampliam a falta de empatia no país.
Como consequência da liquidez nas relações e da falta de empatia, há uma árdua desumanização nas atividades cotidianas, haja vista que, a antipatia torna as vivências mais egoístas e mais competitivas. Tal realidade tem efeitos coletivos, posto que, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, de acordo com sua teoria Biopsicossocial, para um indivíduo viver de forma digna ele deve estar com as estruturas biológicas, psicológicas e sociais funcionando plenamente, caso contrário, se um desses pilares falha — o social, por exemplo, pela desumanização nas relações —, toda a estrutura sofrerá. Dessa forma, é visível que a falta de empatia existente no Brasil intensifica a não humanidade entre as pessoas e o egoísmo social, realidade essa que é ratificada pela matéria da CNN, a qual afirma que em 2020 os brasileiros ficaram mais individualistas, mesmo diante de uma pandemia global.
Fica claro, portanto, que a falta de empatia traz graves consequências para a sociedade. Logo, é necessário que o Ministério da Educação insira na grade escolar e universitária aulas teóricas e práticas sobre empatia, por meio de didáticas eficazes e estímulo a atividades como ações sociais e auxílio nas atividades cotidianas. Tais intervenções visando internalizar na sociedade a empatia desde as idades iniciais até os adultos, para que as relações sociais sejam mais estáveis entre os brasileiros.