ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 12/10/2021
Na famosa série da Netflix, Round 6, na penúltima prova, os competidores precisam atravessar determinado percurso em cima de placas de vidro adivinhando quais são temperadas ou não, dessa forma, vários participantes por medo e despreocupação com a vida do próximo empurram os adversários na sua frente para descobrir o caminho correto. Paralelamente, na vida real, a empatia nas relações sociais tem se tornado cada vez mais escassa, exemplos disso são: o aumento recorrente dos crimes de ódio e o descaso com as medidas preventivas durante a pandemia. Sob esse viés, tal fato se torna alarmante quando põe vidas em risco e precisa urgentemente ser sanado.
Em primeira análise, observa-se que, atualmente, a inexistência de um cenário em que o indivíduo se coloca no lugar do outro sobrepõe a empatia entre a população e isso agrava ainda mais o cenário de intolerância existente no país. Outrossim, de acordo com um levantamento da organização Words Heal the World, em 2019, mais de 12 mil casos de crime de ódio foram registrados no Brasil e os números aumentam anualmente. Sob essa ótica, esse aumento se dá devido ao recorrente processo de inflexibilização da sociedade atual, em que as crenças individuais passam a ser impostas como verdades absolutas e as visões contrárias são vistas como ameaças. Dessa forma, respeito e tolerância ao próximo são gradativamente suprimidos e milhares de vidas são perdidas simplesmente por enxergarem o mundo com outros olhos.
Ademais, de acordo com a falecida primeira-ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, “não existe essa coisa de sociedade, o que há e sempre haverá são indivíduos” e a forma como a população age durante a pandemia em que se encontra o Brasil evidencia isso. Sob esse viés, percebe-se que grande parte da população brasileira põe seus interesses individuais acima da vida do outro, pois milhares de brasileiros colocaram em risco outras pessoas e a si mesmos ao ignorar as medidas de prevenção. Da mesma forma, muitos persistem em aglomerações, não utilizam máscara ou simplesmente não querem ser imunizados, fato que expõe a falta de empatia presente no país para com as mais de 600 mil famílias que foram desfalcadas.
Depreende-se, portanto, que devem ser tomadas medidas para solucionar a falta de empatia presente no Brasil. Dessa forma, o Governo juntamente com o Ministério da Educação deve promover o amplo debate sobre o assunto por meio de palestras e campanhas na maior quantidade de instituições educacionais possíveis e também através da divulgação em redes sociais, para que o ato de se preocupar com o próximo se torne rotina no dia a dia brasileiro. Só assim o país poderá sobrepujar a afirmação de Margaret e se tornar uma sociedade.