ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/10/2021

O filósofo e escritor inglês Thomas More, em sua obra ’’ Utopia ‘’, retrata uma sociedade imaginária e magnificiente, na qual o corpo social, explicitamente empático, padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Isto é, o contraste desejado pelo autor direciona-se à realidade de determinadas interações coletivas. Nessa perspectiva, nota-se, no cenário hodierno brasileiro, o núcleo da crítica de More, em que, lamentavelmente há a falta de empatia e de flexibilização nas relações sociais, ausência essa causada pelas raízes históricas e, consequentemente pela insciência dos cidadãos.

Sob esse viés, é indubitável que, um princípio, os acontecimentos passados, no que tange à falta de empatia nas relações sociais, configuram-se uma indúctil problemática. Nesse sentido, ratifica-se que a prática hostil na coletividade não é um fator que surge na contemporaneidade, mas que se alastou durante vários séculos. A exemplo disso, durante o período do Brasil colonial no século XVI, com a chegada dos portugueses ás Américas, houve a disseminação preceitos etnocêntricos, machistas e intolerantes por parte dos europeus europeus, em que os indígenas, com sua tradição e ideologia religiosa foram matados de uma exacerbada ausência de empatia e respeito. Sob tal ótica, em pleno século XXI, vê-se a permanência dessas ideiais que, lamentável e explicitamente, formentam e aprofundam as relações desrespeituosas e preconceituosas.

Vale saliente, por conseguinte, que a ignorância da parcela populacional substancial, contruída historicamente, é uma causa latente que promove a falta de empatia nas relações comunitárias no âmbito brasileiro. Sob essa alçada, Mário Sergio Cortella, filósofo brasileiro, relata que ’’ É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal ‘’. Isto é, urge que o homem dotado de racionalidade, pense e reflita por si só acerca dos acontecimentos, objetivando uma melhor interação social, a qual seja respeituosa, empática e consciente.

Fica perceptível, portanto, que os critérios devem ser instalados para atenuar a falta de empatia no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, promover debates públicos acentuados sem preocupação com a promoção das interações sociais, por intermédio dos artefícios midiáticos, com o fito de conscientizar a todos e extirpar os preceitos discriminatórios enraizados na historicidade brasileira. Outrossim, compete ao Ministério da Cidadania promulgar legislações que têm como intuito conter e reverter a inconsciência de grande parte antipática do corpo civil atual, por meio de centros de denúncias que se direcionem ao combate das variações da intolerância, a fim de concretizar a coexistência harmoniosa e reflexiva. Com isso, o cenário hodierno proposto por More será possível.