ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 14/10/2021

O longa-metragem, norte-americano, “os fantasmas de Scrooge” conta a história de um velho ranzinza  que se comporta de maneira mesquinha até mesmo com seus entes queridos, pouco se importando com as pessoas a sua volta. Fora da ficção, no Brasil, a falta de empatia nas relações sociais tem se tornado um grave problema capaz de impactar diversos ramos da sociedade. Por isso, é mister debate-lo e, além disso, apontar suas principais raízes. Entre elas, destacam-se a invisibilidade social e a individualidade causados por uma mentalidade altamente retrograda e apática.

Em primeiro lugar, é imperioso salientar que as sociedades modernas, por viverem em bolhas sociais altamente padronizadas e elitizadas, muitas vezes, ignoram os problemas e, até mesmo, as lutas por melhores condições de vida de certas minorias existentes no corpo social brasileiro. Nessa esteira, segundo a filósofa Simone de Beauvoir, em sua obra “a velhice”, os idosos são um grupo que sofrem a invisibilidade social  na sociedade, uma vez que eles são, constantemente, julgados como inválidos e tem seu papel democrático fragilizado, devido ao fato de não atenderem aos padrões estabelecidos pela população mais ativa. Nessa Perspectiva, vê-se que, assim como os idosos, muitos outros grupos minoritários são marginalizados por não estarem de acordo com esse “padrão”, haja vista a população negra que, mesmo sendo a maioria no país, possui uma ínfima representatividade cultural e hierárquica.

Ademais, constata-se que a sobreposição de interesses individuais encontra terra fértil na contemporaneidade. Nesse viés, na obra “Cegueira Moral”, o sociólogo Zygmunt Bauman relata a dificuldade dos cidadãos em enxergarem realidades distintas das próprias, fato que potencializa a escassez de comportamentos empáticos. Diante disso, pode-se pontuar que a visão de Bauman é legitimada pelos constantes comentários ofensivos e preconceituosos que várias minorias vêm sofrendo nas redes sociais, por exemplo, de cunho racista, homofóbico e até mesmo gordofóbico, estimulados não só pelo desconhecimento relativo à importância da diversidade, mas também pelo apego a uma visão altamente conservadora e individualista de mundo que julga-se como a principal.

Portanto,  a falta de empatia na relações sociais deve ser combatida a fim de se estimular um convívio melhor e mais harmônico entre as pessoas no Brasil. Para isso, é importante que o governo federal crie, por meio de verbas governamentais, massivas campanhas televisivas para serem exibidas em horários de grandes audiências que demonstrem, a partir de relatos e simulações do cotidiano, a importância da solidariedade nas relações interpessoais, com o objetivo de quebrar tabus relativos às diversas minorias, bem como desmistificar velhos preceitos que, infelizmente, persistem na sociedade. Só assim seremos capazes de viver livres das amarras apáticas e longe dos “fantasmas de Scrooge”.