ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 15/10/2021
Na obra “Utopia”, do filósofo Thomas More, a sociedade é tida como perfeita, na qual o corpo social está livre de problemas e conflitos, sendo, então, isento de entraves como a falta de empatia. No entanto, fora da ficção, o que se vê é o contrário, visto que há, principalmente na sociedade brasileira, ausência de empatia nas relações sociais, seja pela modernização acelerada vivida pelos indivíduos, seja pela desvalorização de ações socioeducativas importantes. Sendo assim, analisar esse cenário é crucial para reverter esse panorama de apatia no cenário nacional.
Antes de tudo, é válido destacar como a rápida modernização contribui para a falta de proximidade nos vínculos sociais. Nesse sentido, é cada vez mais comum ouvir falar na fluidez e superficialidade das relações gerada pelo individualismo, o qual decorre de usos cada vez mais frequentes da internet e das redes sociais, como afirma o pensador Zygmunt Bauman. Desse modo, os individuos tendem a deixar relações reais importantes com, por exemplo, familiares e amigos, em prol do mundo virtual. Consequentemente, esse distanciamento gera não só a falta de laços empáticos, mas também o isolamento social do indivíduo. Dessa forma, mudar esse quadro se faz urgente para as que os laços sociais e afetivos não sejam substituídos pelo afastamento.
Além disso, é relevante mencionar como a desvalorização de ações importantes fomenta a carência de empatia social. Nesse contexto, não é raro encontrar pessoas que desprezem atitudes básicas, mas que fazem a diferença como, por exemplo, auxiliar idosos, oferecer ajuda aos portadores de deficiências ou, até mesmo, desejar um bom dia para alguém. Dessa forma, essa não valorização passa, em muitos casos, despercebida, e é, sem dúvidas, fruto de uma falha na construção socioeducativa do sujeito, pois, a educação interfere diretamente nas relações socioafetivas. Logo, usar a instrução é uma alternativa, posto que, de acordo com o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Assim sendo, incentivar a empatia através do ensino diminuirá essa carência de empatia.
Diante dos fatos mencionados, é evidente que a falta de afinidade nas relações sociais no cenário nacional é um problema e, mudar esse panorama é essencial. Para isso, o Poder Executivo deve, através de campanhas e palestras, destacar a importância dos laços não só empáticos, mas também sociais, evidenciando os malefícios que podem ser gerados pelo afastamento de vínculos que são importantes para o cidadão. Ademais, o Ministério da Educação deve incentivar estudos que abordem a importância de ações afetuosas nas escolas, através de aula voltadas para o assunto, com o intuito de utilizar a educação para gerar cidadãos que valorizem a empatia nas relações. Somente assim, a sociedade ideal, sem entraves a cerca de empatia, proposta por More, estará próxima do real.