ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 20/10/2021

A obra cubista “Guernica”, de Pablo Picasso, ilustra a fragmentação da sociedade espanhola durante a guerra civil no país, o que demonstra o comportamento - individualista, ignorante e nocivo- dos homens perante momentos violentos. Para além da pintura histórica, no Brasil, o cenário não se mostra diferente, visto que a falta de empatia nas relações sociais torna difícil o convívio entre as pessoas. Isso não se evidencia apenas pela crescente violência nas cidades, mas também pelo reduzido engajamento da população para ajudar o próximo. Cabe-se, então, alcançar medidas para reverter essa situação.

Em uma primeira perspectiva, sob a ótica social, a falta de empatia na sociedade brasileira faz-se presente nos assaltos e nas agressões que assolam as regiões do país. Isso porque a violência mostra-se a expressão máxima de atitudes antipáticas, uma vez que ocorre o desprezo pela dignidade humana e, consequentemente, a desmoralização do ser, o que implica em um corpo social repleto de aversão ao próximo, por medo de sofrer.  De acordo com o atlas da violência 2021, o Brasil sofreu um aumento de 35% no número de mortes violentas, tal dado, ao expor o crescimento dos assassinatos, realça a falta de empatia nas relações sociais em maior grau. Dessa forma, é preciso reverter esse caótico quadro.

Ademais, em segundo plano, a baixa adesão de expressiva parcela da população brasileira a projetos sociais, também, ergue-se como ilustrador da reduzida presença de empatia nas relações cotidianas. Essa correlação pode ser estabelecida por conta da fraternidade envolvida nas campanhas de doação e acolhimento dos indivíduos marginalizados, o que, no Brasil, é, muitas vezes, banalizado e, por isso, não recebe a devida atenção do corpo social e dos orgãos Estatais. Segundo a pesquisa doação Brasil 2020, houve redução em todas as formas de doações - dinheiro, bens e trabalho voluntário- no país, o que revela a dificuldade em exercer o afeto, mesmo em tempos pandêmicos. Dessa maneira, a afeição dos brasileiros precisa ser reestabelecida para vivermos em harmonia.

Torna-se evidente, portanto, que para resolver a questão da falta de empatia nas relações sociais dentro do Brasil faz-se necessário o combate a violência e o estímulo a doações aos mais necessitados. Para estabelecer esse quadro, é preciso que o Poder Executivo - por intermédio do Ministério da Cidadania- faça, em parceria com os principais agentes da mídia, a criação do projeto “doação no coração”, no qual haja o estímulo a doação e demonstre os malefícios da violência para os cidadãos. Por meio de campanhas publicitárias e incentivos fiscais para aqueles que doarem, como a redução de impostos federais, para que atitudes amigáveis sejam parte do cotidiano. Espera-se, assim, que de fato a sociedade brasileira torne-se mais empática e, desse modo, se afaste da fragmentação social ilustrada por Picasso.