ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 20/10/2021
Heráclito - filósofo grego do período pré-socrático - foi o precursor do mobilismo: corrente filosófica que defende o pensamento de que tudo está sempre em constante mudança. No entanto, caso vivesse na comtemporaneidade, talvez percebesse seu pensamento equivocado, ao analisar que, apesar dos avanços tecnológicos e culturais, seja pela inaptidão governamental ou pela indiferença social, a falta de empatia permanece nas relações sociais em nossa nação brasileira.
Deve-se examinar, a princípio, que cabe aos nossos governantes a promoção da alteridade e de uma sociedade igualitária. Segundo a Constituição Federal de 1988, a garantia da cidadania para todos é uma função e fundamento do Estado. Entretanto, a apatia presente nas interações em sociedade é um claro descumprimento dessa norma constitucional. Consequentemente, a existência de uma sociedade apática é de responsabilidade do nosso governo e perpetuada por sua carência de atuação.
Além disso, observa-se uma atuação populacional de forma coadjuvante no agravamento dessa problemática. Sob a óptica de Hebert Marcuse - sociólogo alemão da Escola de Frankfurt -, a sociedade moderna altamente industrializada e a cultura de massas geram um “homem unidimensional”, isto é, um cidadão sem pensamento crítico e alheio às questões sociais. Dessa forma, a carência de empatia se perpetua pois essa sociedade inerte não exige de seus governantes soluções a esse problema.
Fica evidente, portanto, que o absentismo da empatia na sociedade brasileira é derivado de uma falha na ação estatal em solucionar essa questão. Nesse contexto, faz-se necessário que o Ministério da Educação promova a noção de cidadania, através do ensino de diversas culturas nas escolas públicas, para que se desenvolva nos jovens em formação a empatia necessária para a reversão desse cenário. Somente assim, poderemos confirmar o pensamento do filósofo mobilista e observar a transformação de nossa sociedade.