ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 22/10/2021
O longa-metragem norte-americano “Os fantasmas de Scrooge”, conta a história de um velho ranzinza que se comporta de maneira mesquinha até mesmo com seus entes queridos, pouco se importando com as pessoas à sua volta. Fora da ficção, no Brasil, a falta de empatia nas relações sociais tem se tornado um grave problema capaz de impactar diversos ramos da sociedade. Por isso, é mister debatê-lo e, além disso, apontar suas principais raízes. Entre elas, destacam-se a invisibilidade social e a individualidade causados por uma mentalidade altamente retrógrada e apática.
Em primeiro lugar, é imperioso salientar que as sociedades modernas ignoram os problemas e as pessoas a sua volta, fechando os olhos para as realidades que as circundam, por viverem em um ambiente que enaltece apenas aqueles indivíduos que estão inseridos em suas bolhas sociais. Analogamente, segundo a filósofa Simone de Beauvoir, em sua obra “a velhice”, os mais velhos são um grupo que sofre a invisibilidade social na sociedade, uma vez que eles são julgados, por muitos, como um peso para a comunidade, devido ao fato de não atenderem aos padrões criados pela população mais ativa. Nessa perspectiva, vê-se que, assim como os idosos, muitos outros grupos minoritários são marginalizados por não estarem de acordo com esse “padrão” pré-estabelecido, fato que reafirma a apátia presente e, consequentemente, enfraquece a coesão existente no corpo social brasileiro.
Ademais, constata-se que a sobreposição de interesses individuais encontra terra fértil na contemporaneidade. Adicionalmente, na obra “Cegueira Moral”, o sociólogo Zygmunt Bauman relata a dificuldade dos cidadãos enxergarem realidades distintas das próprias, fato que potencializa a escassez de comportamentos empáticos. Diante disso, pode-se pontuar que a visão de Bauman é legitimada pelos constantes comentários ofensivos e preconceituosos que várias minorias vêm sofrendo nas redes sociais, por exemplo, de cunho racista, homofóbico e até mesmo gordofóbico, estimulados não só pelo desconhecimento relativo à importância da diversidade, mas também pelo apego a uma visão altamente conservadora e individualista de mundo que julga-se como a principal.
Portanto, a falta de empatia na relações sociais deve ser combatida, a fim de se estimular um convívio melhor e mais harmônico entre as pessoas no Brasil. Para isso, é importante que o governo federal crie, por meio de verbas governamentais, massivas campanhas televisivas para serem exibidas em horários de grandes audiências que demonstrem, a partir de relatos e simulações do cotidiano, a importância da solidariedade nas relações interpessoais, com o objetivo de quebrar tabus relativos às diversas minorias, bem como desmistificar velhos preceitos que, infelizmente, persistem na sociedade. Só assim seremos capazes de viver livres das amarras apáticas e longe dos “fantasmas de Scrooge”.