ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 28/10/2021

Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto disso, uma vez que a falta de empatia nas relações sociais representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da inoperância estatal e do individualismo, fatores que favorecem esse panorama.

Seguindo esse contexto, convém ressaltar a negligência estatal frente a essa questão. A exemplo disso, segundo o Mapa do Ódio, em 2018, o feminicídio foi um crime registrado em todas as unidades federativas do Brasil, o que mostra que o Estado, lamentavelmente, não possui políticas públicas que consigam reduzir os efeitos da falta de empatia existente no corpo social. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do que ele denomina por “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre o seu dever de assegurar aos indivíduos direitos indispensáveis, como a qualidade de vida. Esses aspectos, infelizmente, são notórios no país.

Ademais, o individualismo atua como impulsionador desse quadro deletério. Nesse viés, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, evidencia a forte presença do individualismo na sociedade pós-moderna, propiciado pela falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas. Dessa forma, a falta de empatia está fortemente alicerçada na estagnação social, uma vez que o indivíduo, enquanto não for diretamente afetado pelos malefícios de sua apatia, como o feminicídio, será, muitas vezes, indiferente frente a esses percalços. Logo, é inadmissível que essa realidade continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater essas adversidades. Para isso, as escolas, por meio de palestras, devem orientar os estudantes a serem mais tolerantes, proporcionando-os conhecimento sobre a multiplicidade racial, religiosa e cultural do Brasil, bem como salientar a indispensabilidade da igualdade de gênero para o pleno progresso coletivo, a fim de propiciar, a longo prazo, uma sociedade mais empática, menos individualista e menos preconceituosa. Assim, será concretizada uma coletividade engajada a reduzir e repudiar os impactos do individualismo pós-moderno, tal como evidencia Zygmunt Bauman.