ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 28/10/2021

A música “Mantra”, do cantor e compositor Nando Reis, destaca no verso “Amor dará e receberá” a importância desse sentimento para uma sociedade empática, argumentando que recebemos o que transmitimos para os outros. Porém, ao sairmos do lirismo da canção, notamos que a empatia, ou seja, a capacidade se colocar no lugar do próximo através do amor, não encontra, geralmente, o seu espaço nas relações sociais brasileiras, sendo a sua falta responsável pelo aumento das desigualdades sociais e da violência contra grupos minoritários no Brasil.

Em primeiro lugar, é importante destacar que vivemos em uma sociedade em que a falta de empatia predomina nas relações. Desse modo, a desigualdade social, a maior mazela do Brasil, encontra a sua forma de sustentabilidade no egoísmo entre as partes, o qual é responsável pela falta de políticas públicas funcionais que visam ao fim dessa moléstia no nosso pais. Nesse sentido, o livro “Quarto de Despejo”, da catadora de papel Maria Carolina de Jesus - obra que retrata a difícil luta da autora contra a pobreza - ao ser lançado chocou a sociedade elitizada que, na época, ao se deparar com tanta violência, pobreza, fome e desigualdade, preferiu desacreditar nas palavras de Carolina - afinal, quem conseguiria viver da forma como ela vivia? - do que reconhecer a podridão da sociedade que construíram. Tal situação demonstra, de forma prática, que, muitas vezes, optamos por viver na ignorância do que colocarmos-nos no lugar do próximo.

Ademais, a falta de empatia nas relações sociais é responsável pelo surgimento da violência contra grupos minoritários no Brasil. Nesse sentido, Hannah Arendt, filósofa alemã, desenvolveu a teoria da banalização do mal, a qual atribui a existência da violência institucionalizada ao desconhecimento do sentimento de culpa, que só surge quando conseguimos nos colocar empaticamente no lugar de quem sofre. Assim, a violência contra mulheres, negros, membros da comunidade LGBTQIA+, pobres, portadores de deficiência e tantos outros grupos encontra respaldo para existir na nossa sociedade, já que tornamos banais as agressões físicas e psicológicas contra essas pessoas.

Tendo em vista o que foi exposto, torna-se evidente que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil deve ser combatida urgentemente. Assim, cabe ao Ministério da Educação criar e tornar obrigatória a existência, em todas as escolas, a disciplina “Formação Humana”, a qual busque incentivar o desenvolvimento da empatia entre crianças e jovens, através de aulas lúdicas, debates sobre temas atuais, criação de campanhas e resolução de situações-problema, visando sempre apresentar outras realidades aos estudantes. Assim, o amor e a empatia, tão importante para o bom funcionamento da sociedade, preponderá, gradualmente, nas relações sociais no Brasil.