ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 30/10/2021

Durante o absolutismo europeu, Thomas Hobbes afirmava que o homem é o lobo do homem, ilustrando a essência humana competitiva que leva ao alcance de objetivos a todo custo. Vários séculos depois, esse aspecto do ser humano continua atual e devastador, trazendo consigo a falta de empatia nas relações humanas. Particularmente, no Brasil, a empatia tem baixa expressividade nas relações, o que configura o cerne de todos os males da sociedade moderna, gerando grandes prejuízos.

Empatia é a capacidade de olhar para o próximo como um igual, o que capacita o desenvolvimento de relações de confiança, cuidado e compaixão. No entanto, o estilo de vida da sociedade moderna atual vai contra essa definição, pois as relações tem sido pautadas nas diferenças e na incapacidade de aceitação do outro. Isso gera um ambiente propício para preconceito, consumismo exagerado e uma necessidade eminente de conquistar bens materiais em detrimento das possíveis consequências para as gerações futuras. No Brasil, o contexto imediatista e egoísta não é diferente,  visto que, serve de alicerce para uma infinidade de males atuais, que vai desde a poluição ambiental até a violência. A poluição, ilustrada pelos altos níveis de desmatamento da floresta amazônica a fim de garantir a expansão agropecuária de interesse da iniciativa privada. A violência, por sua vez, é expressa pelos dados da pesquisa Mapa do Ódio de 2018, que mostra crimes de ódio, como o feminicídio e racismo, massivamente espalhados em todos os estados do Brasil. Toda essa conjuntura nacional corrobora o pensamento do filósofo Zygmunt Bauman de que, com a evolução da sociedade, as relações tornaram-se mais superficiais e, consequentemente, o homem torna-se mais preocupado com seus próprios interesses do que com os da coletividade.

Diante do exposto, infere-se que a empatia garante proteção contra um ambiente social perigoso e hostil. Afinal, se o cidadão enxerga o outro como seu igual, não será capaz de maltratá-lo. É imprescindível, portanto, combater a falta de empatia na sociedade brasileira a fim de transformar a sociedade. Para isso, cabe ao Ministério da Educação incluir disciplinas de caráter sócio-emocional na educação básica infantil, como a prática da empatia, utilizando para isso de rodas de conversa com os pais, alunos e núcleo familiar a fim de mitigar o individualismo na prática e frear os males que o preconceito e a indiferença ao próximo podem trazer para a sociedade.