ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 02/11/2021
No filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”, a protagonista Amelie se compromete a ajudar aqueles que estão a sua volta, após auxiliar o personagem Dominique Bretodeau a encontrar sua caixinha com memórias da infância. Nesse sentido, o filme estimula o ato de se colocar no lugar do outro, ou seja, de agir com empatia. Tal valor está em falta nas relações sociais brasileiras, e isso explica-se pela sociedade capitalista globalizada, que evidencia o individualismo, o que culmina em problemas de saúde físicos e mentais e no atraso social.
Convém ressaltar, a princípio, as relações individualistas reforçadas pela coletividade industrializada. Por esse viés, o filósofo sul-coreano Byung Chul-Han fala sobre a sociedade do cansaço, em que as pressões do meio, as exigências do mercado de trabalho e o apelo ao consumismo exacerbado geram indivíduos cansados. Esse cansaço propicia o egoísmo, dificultando o exercício da empatia. Além disso, conforme explicado pelo geógrafo Milton Santos ao falar da globalização perversa, o meio hodierno é capaz de encurtar distâncias físicas mas distanciar o relacionamento daqueles que estão próximos. Em suma, tais características contemporâneas corroboram para o déficit da empatia.
Consequentemente, é importante destacar o atraso social pela ausência de atitudes solidárias. Sob tal ótica, no programa de confinamento Big Brother Brasil (BBB), a paraibana Juliette Freire ao passar por dificuldades no programa e mesmo expondo suas dores e sentimentos, foi vítima de indiferença dos demais confinados. O resultado foi a sua retração e desânimo para prosseguir no programa. Fora do BBB, ações indiferentes também colaboram para a tristeza dos indivíduos e dessa forma, podem ocasionar problemas de saúde físicos e mentais. Sendo assim, sujeitos infelizes ou desprovidos de saúde possuem mais dificuldade em contribuir para o desenvolvimento social.
Portanto, são necessárias medidas que visem a reverter a falta de empatia nos relacionamentos. O Ministério da Educação deve incentivar a empatia nas escolas, por meio de projetos e brincadeiras que estimulem o ato de olhar para o próximo e a interação dos estudantes, com o fito de combater o individualismo. Adicionalmente, a mídia deve demonstrar como a empatia é importante para o avanço social, mediante campanhas e publicações nas redes sociais, similares às postagens do perfil do instagram “O lado bom das coisas” que divulga ações solidárias, com o objetivo de estimular o exercício da empatia.